Adriana Calcanhotto volta aos palcos como Partimpim depois de 15 anos. Para celebrar os 21 anos do heterônimo infantil, a cantora e compositora percorre o país com o novo espetáculo, O Quarto no Palco, com repertório dos quatro álbuns, incluindo o mais recente, lançado em 2024.
A ideia de retornar surgiu quando o primeiro álbum completou duas décadas. “Todo mundo começou a me avisar: você não vai celebrar esse disco?”, conta a cantora, em entrevista ao Bem Viver, programa do Brasil de Fato. O impulso criativo se consolidou quando Adriana ouviu o álbum de Xande de Pilares cantando Caetano. “Liguei para o Pretinho [da Serrinha, produtor do álbum de Xande] e falei: ‘Olha, eu não sei o que é exatamente isso que você fez no disco do Xande, mas eu quero’ ”, brinca.
A estética do espetáculo também nasce do encontro de Adriana com o mestre Jasson, artista popular de Belo Monte, no sertão alagoano. As cores, formas e símbolos que ela viu no ateliê do artista acabaram guiando o visual do show. No palco, aparecem elementos criados por ele especialmente para a Partimpim, como o violão pintado para a turnê, além de uma de suas icônicas cadeiras, e outras peças que dialogam com a cenografia e as projeções.
O espetáculo também marca o encontro de gerações, algo que Adriana descreve como essencial para o projeto. “É a ideia de que pais, cuidadores, avós e as crianças estejam em comunhão naquele repertório. Para mim, é muito importante que os adultos curtam o show. Eu não teria vontade de fazer um show onde as crianças gostam e os adultos ficam entediados”, diz.
Ela também se surpreende com o retorno do público que cresceu com a Partimpim: “Ver o nível de comoção, de afeto dessas crianças que ouviram Partimpim, que estão voltando ao show e que agora são adultos… Eu não teria como fazer um cálculo de como seria. E é muito mais bacana do que eu poderia imaginar.”
Com arranjos inéditos, banda renovada e cenografia lúdica, O Quarto no Palco reafirma essa mistura de gerações e mundos diversos: “uma plateia que, se não fosse a Partimpim, eu não teria”, define a artista.
Confira a entrevista na íntegra.
Brasil de Fato – O que motivou esse retorno da Partimpim e o que o público pode esperar desse show?
Adriana Calcanhoto – O primeiro disco fez 20 anos no ano passado, e aí um pouco antes disso todo mundo começou a me avisar: “Olha, o disco vai fazer 20 anos, você não vai fazer nada? Você não vai celebrar esse disco? Foi muito importante para muita gente.” E aí, me deu vontade de fazer mais um.
Eu ouvi o disco do Xande de Pilares cantando Caetano, quando acabou o disco, na minha primeira audição, eu liguei para o Pretinho [da Serrinha], porque eu senti que era isso que a Partimpim queria. Eu falei: “Olha, eu não sei o que é exatamente isso que você fez no disco do Xande, mas eu quero” (ri). Foi incrível trabalhar com ele.
É uma sonoridade diferente dos outros. Cada Partimpim tem o seu som, e aí, para esse show, eu queria um som que não fosse mais o do quarto disco, nem de nenhum outro disco.
Você traz muitas referências da cultura popular para esse show. Como esse encontro com o lúdico popular ajuda a contar a história da Partimpim nessa volta?
Nos outros projetos, a Partimpim tem bastante referências que não são só brasileiras. Mas este projeto, eu acho que é o mais brasileiro.
A Dani Jensen, que é a figurinista, trouxe essa ideia dos artistas populares, e me apresentou o trabalho do Jasson, que eu não conhecia. Eu fui até Belo Monte, até o Sertão [de Alagoas], conhecê-lo e vê-lo pintando naquela luz do Sertão, porque aquelas cores têm a ver com aquela luz onde ele pinta.
E eu acho que isso tem muito a ver com o repertório. Foi um grande achado, uma grande junção: os artistas populares brasileiros e essa estética, os barquinhos de Paraty, os colares de Miriti, com as coisas que acontecem no palco.
Você já imaginava que veria no público crianças que cresceram com a Partimpim e agora levam os próprios filhos? Como tem sido essa experiência na turnê?
Isso é uma coisa bacana, a ideia dos pais, cuidadores ou os avós e as crianças estarem em comunhão naquele repertório, naquela música. Para mim é muito importante que os adultos curtam o show. Eu não teria vontade de fazer um show que as crianças gostam e os adultos ficam entediados. Ou vice-versa, entende? Então, é um exercício interessante do lúdico.
É muito bonito de ver. É uma plateia que, se não fosse a Partimpim, eu não teria. É gente de todo tipo. De toda idade, de qualquer idade, mas de mundos muito diversos, e todo mundo ali conectado pela música, por boa música, bons compositores. Ou seja: você vai ver o primeiro show da sua vida e está lá no palco o Davi Moraes. Aquilo dá muita alegria, muita felicidade.
Como é perceber que essa obra atravessa o tempo, recuperando artistas e memórias, mas também incorporando referências dos novos tempos?
Quando eu estou cantando, sei lá, Oito Anos, Fico Assim Sem Você, com aquelas que são crianças agora, e aquilo está batendo nelas ainda… As crianças de 21 anos atrás tinham um tempo de atenção um pouquinho maior do que as de hoje, mas a essência do que é ser criança permanece. Então essas canções estão falando com essas crianças.
Eu fico tão feliz delas serem apaixonadas por A Ciranda da Bailarina, delas estarem ouvindo Edu Lobo, Chico Buarque. Elas estão ouvindo coisas magníficas.
Você sabe que, quando eu fiz o primeiro [disco], eu sabia que queria fazer vários, mas nunca pensei: “Um dia esse disco vai fazer 20 anos.” Não é muito meu temperamento. Eu vou fazendo, vou olhando para frente, não olho para trás.
Então agora, ver o nível de comoção, de afeto dessas crianças que ouviram Partimpim, que estão voltando ao show e que agora são adultos… Eu não teria como fazer um cálculo de como seria. E é muito mais bacana do que eu poderia imaginar.
E tem mais…
Neste episódio, o Bem Viver viaja até a Colômbia para conhecer a força das comunidades que vivem no maior páramo do mundo. Em Sumapaz, camponesas e camponeses resistem a megaprojetos, enfrentam o avanço do capital e mostram como a agroecologia pode proteger a água, a terra e a vida.
Direto de Havana (Cuba), o Novembro Fotográfico, que ocupa ruas, paredes e praças com imagens de artistas do mundo inteiro.
E, claro: tem receita de sobrecoxa recheada com a chef Gema Sotto, pra inspirar o cardápio e aquecer a cozinha.
Quando e onde assistir?
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Na TVT: sábado às 13h; com reprise domingo às 6h30 e terça-feira às 20h no canal 44.1 – sinal digital HD aberto na Grande São Paulo e canal 512 NET HD-ABC.
Na TV Brasil (EBC), sexta-feira às 6h30.
Na TVE Bahia: sábado às 12h30, com reprise quinta-feira às 7h30, no canal 30 (7.1 no aparelho) do sinal digital.
Na TVCom Maceió: sábado às 10h30, com reprise domingo às 10h, no canal 12 da NET.
Na TV Floripa: sábado às 13h30, reprises ao longo da programação, no canal 12 da NET.
Na TVU Recife: sábados às 12h30, com reprise terça-feira às 21h, no canal 40 UHF digital.
Na UnBTV: sextas-feiras às 10h30 e 16h30, em Brasília no Canal 15 da NET.
TV UFMA Maranhão: quinta-feira às 10h40, no canal aberto 16.1, Sky 316, TVN 16 e Claro 17.
Sintonize
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