Neste sábado (6), sob as bandeiras “Hands off Venezuela! [Tire as mãos da Venezuela!]” e “No War on Venezuela [Não à Guerra Contra a Venezuela]”, manifestantes de 11 países do mundo vão sair às ruas para protestar contra as ameaças do governo Donald Trump à Venezuela.
A maior concentração será nos Estados Unidos, onde os protestos vão ocorrer, de acordo com organizadores, em 60 cidades.
“Vinte e dois anos depois de os EUA terem ido à guerra no Iraque com base em mentiras, o governo Trump está preparando uma grande guerra contra a Venezuela. Devemos agir agora para impedir essa guerra antes que ela comece”, diz uma das convocações.
Uma pesquisa CBS News/YouGov, divulgada em novembro, indicou que 70% da população dos Estados Unidos se opõem a uma intervenção militar na Venezuela. Apenas 24% dos entrevistados dizem que a administração Trump explicou de forma clara sua posição sobre uma ação militar no país comandado por Nicolás Maduro. Além disso, somente 13% consideram a Venezuela uma grande ameaça.
De acordo com a organização estadunidense Workers World Party [Partido Mundial dos Trabalhadores], também há protestos marcados no Canadá, Austrália, Reino Unido, República Dominicana, Alemanha, Grécia, Irã, México, Nepal e Paquistão.
Rosana Fernandes, coordenadora na Venezuela da Brigada Internacionalista Apolônio de Carvalho do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Teto (MST) acredita que esses movimentos podem colocar um freio nas ameaças de Washington.
“Nós acreditamos que a solidariedade internacional entre os povos deve ser reafirmada e colocada como um compromisso para que o povo venezuelano não sofra as barbáries do imperialismo norte-americano. A pressão de Trump contra a Venezuela pode sim ser barrada por mobilizações populares em todas as partes do mundo”
Diante do aumento da pressão da Casa Branca, a Comissão de Relações Internacionais da Assembleia Nacional de Cuba divulgou um comunicado em que faz um apelo pela preservação da paz na região.
“Já são dezenas as pessoas mortas pelos ataques perpetrados pelas forças dos Estados Unidos contra embarcações da região, fatos que se qualificam como execuções extrajudiciais e constituem uma flagrante violação do Direito Internacional. A militarização no Caribe, nas últimas semanas, constitui um ato de grosseira ingerência do governo dos Estados Unidos”, diz um trecho do documento publicado nesta quinta-feira (4).
Também nesta quinta-feira, Washington voltou a realizar ataques contra uma embarcação que navegava no Oceano Pacífico, sob a justificativa de combate ao narcotráfico. Quatro pessoas mortas, o que elevou o número de vítimas para 87, desde que os bombardeios começaram, no início de setembro.
