Os últimos acontecimentos escancaram, mais uma vez, a urgência de tratarmos a violência contra mulheres como o que ela é: uma emergência nacional. O duplo feminicídio no Cefet-RJ, que tirou a vida de duas jovens dentro de um espaço que deveria ser de proteção e aprendizado, expôs o quanto ainda avançamos pouco na prevenção e no enfrentamento cotidiano da violência de gênero. A brutalidade do crime chocou o país e deixou evidente que nenhuma mulher está segura enquanto o Estado não assumir integralmente seu papel.
Dias depois, uma mulher foi arrastada por um carro na Marginal Tietê, em São Paulo, permanecendo internada após sofrer múltiplas lesões. O suspeito apresentou versões contraditórias, revelando um padrão recorrente: minimizar a violência, deslocar responsabilidades e desumanizar a vítima. Casos assim não são exceções — são parte de uma engrenagem violenta que todos os dias vitima mulheres brasileiras.
Os dados oficiais confirmam essa realidade. O Rio de Janeiro registra uma vítima de feminicídio a cada cinco dias, e mais de 42 mil casos de violência contra mulheres apenas em 2025. No Brasil, feminicídios e tentativas seguem em patamar alarmante, reforçando que denunciar, acolher e proteger não basta: é preciso transformar a estrutura que permite que essas violências aconteçam.
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Na Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados, atuo para fortalecer políticas públicas de prevenção, aperfeiçoar mecanismos legais e ampliar proteção às vítimas. Trabalhamos para garantir orçamento, fiscalizar serviços essenciais e enfrentar a negligência institucional que ainda silencia e revitimiza tantas mulheres. Também avançamos na pressão por protocolos mais rígidos nas escolas, universidades, hospitais e delegacias, garantindo que o ciclo da violência seja interrompido antes que vire estatística.
Falo como mulher, profissional da saúde e parlamentar: não aceito que o Brasil siga naturalizando essas mortes. Todo feminicídio é previsível; o que falta é o compromisso político de prevenir. Enquanto isso não for prioridade do Estado, seguiremos enterrando jovens como as estudantes do Cefet-RJ e tratando como tragédia “isolada” o que, na verdade, é consequência de escolhas públicas.
Não podemos esperar o próximo caso para agir. É hora de enfrentar, com coragem e responsabilidade, a violência que insiste em calar mulheres todos os dias.
*Enfermeira Rejane é deputada federal (PCdoB-RJ).
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.
