O deputado Glauber Braga (Psol-RJ) ocupou na tarde desta terça-feira (9) a mesa da presidência da Câmara em resposta à votação de sua cassação. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mandou esvaziar o plenário, retirou jornalistas e funcionários e suspendeu até a transmissão da TV Câmara. A sessão que também discutia o PL da Dosimetria foi suspensa.
A ação de Glauber foi uma resposta ao anúncio feito por Hugo Motta, que afirmou nesta terça que aceleraria a votação da cassação dos mandatos de quatro deputados, entre eles o congressista do Psol.
Braga teve a sua cassação aprovada no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar. Ele é alvo de uma representação por ter supostamente empurrado e chutado um integrante do MBL (Movimento Brasil Livre) durante um protesto no Congresso.
“Acabo de receber a notícia de que Hugo Motta avisou na reunião do Colégio de Líderes que colocará a votação da minha cassação no plenário da Câmara dos Deputados amanhã. Não vou recuar e não vou deixar de denunciar o Orçamento Secreto. Eu quero a solidariedade de cada e cada uma de vocês, vamos firmes. Estou firme e não vamos abaixar nossa cabeça para esses caras que estão tentando nos calar”, disse Braga antes de ocupar a mesa.
A Polícia Legislativa foi acionada para esvaziar o plenário e se posicionou ao lado da mesa, ameaçando retirar o próprio deputado. A ação da polícia foi questionada por líderes de partidos progressistas. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, lembrou quando a extrema direita ocupou a mesa do presidente da Casa em agosto. Na ocasião, eles permaneceram e a polícia não atuou.
“Quando os golpistas ocuparam a mesa, ninguém foi expulso. Como o presidente agiu daquela vez criou um caos. Toda a solidariedade ao Braga, mas isso não pode acontecer. Essa condução errada por parte do Motta acaba estimulando coisas como essa. A gente tá conversando com gente do Psol para achar uma saída para isso”, afirmou.
