O Movimento pela Paz da Noruega criticou a entrega do Prêmio Nobel da Paz de 2025 a María Corina Machado, que deve receber a honraria nesta quarta-feira (10). A presença da oposicionista a Nicolás Maduro na cerimônia de premiação em Oslo foi confirmada mesmo diante de seu paradeiro incerto.
A organização afirmou que o Comitê Norueguês do Nobel, responsável por conceder a premiação desde 1901, ignora os princípios fundadores defendidos por Alfred Nobel e desvia recursos do propósito original.
Durante uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (9), em Oslo, os representantes do movimento afirmaram que Corina Machado está “longe de ser a campeã da paz” exigida pelos critérios do Nobel. Destacaram ainda que Alfred Nobel concebeu o prêmio para homenagear pessoas que trabalharam para “evitar guerras e fomentar o processo de paz”, o que, segundo os críticos, vem sendo sistematicamente ignorado.
No mesmo dia, a Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade (RedH) enviou uma carta ao Comitê do Prêmio Nobel da Paz, na qual classificou como “desagradável” a premiação de Corina Machado, “a principal promotora da guerra, da invasão ao seu próprio país e da desestabilização da Venezuela e de toda a região”.
No documento, a organização afirma que “o mar do Caribe se transformou no cenário de uma concentração militar desproporcional e grosseira”, em referência à ofensiva estadunidense na região que busca desarticular o governo de Nicolás Maduro, com o pretexto de guerra a narcotráfico, com o apoio de nomes como o de Corina Machado.
“Isso representa uma gravíssima ameaça à paz e à segurança internacionais, como reconheceram a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), a maioria dos governos da região e diversas organizações políticas e sociais de nossos povos”, mencionou a RedH.
A carta afirma ainda que o prêmio “já está manchado de sangue”. “Enquanto estas linhas são escritas, mais de oitenta latino-americanos foram assassinados por meio de execuções sumárias sob o pretexto do combate ao narcotráfico, realizadas sob as ordens de Donald Trump e promovidas e aplaudidas por sua laureada”, diz um trecho.
“Vocês também conhecem as estreitas relações políticas entre Machado e Benjamim Netanyahu, seu apoio ao genocídio contra o povo palestino e às guerras de agressão promovidas por Israel. De que paz falarão em sua cerimônia?”, questionou a organização humanitária.
De acordo com o site do Prêmio Nobel, Corina Machado foi escolhida “por seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo venezuelano e por sua luta por uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.
Nesta segunda-feira (8), o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, afirmou que o Prêmio Nobel da Paz é um “leilão para o melhor ofertante”.
