Se a direita brasileira tivesse um prêmio de “pior atuação política internacional do ano”, Eduardo Bolsonaro seria campeão absoluto — com direito a volta olímpica e aplausos da esquerda. A excursão do “03” aos Estados Unidos entrou para a história não como uma ofensiva patriótica, mas como uma aula prática de como destruir um campo político inteiro em tempo recorde.
O saldo é impressionante. Eduardo conseguiu perder uma eleição praticamente ganha para o Senado, empurrou o pai mais cedo para o banco dos réus (e para mais perto da cadeia), comprometeu qualquer chance real de retorno político do bolsonarismo ao Brasil e, de quebra, entregou o discurso nacionalista de bandeja para Lula.
Tudo isso em nome de quê? De uma suposta defesa da soberania nacional… feita em inglês macarrônico, pedindo intervenção estrangeira contra o próprio país. O “patriota” atravessou fronteiras para denunciar o Brasil lá fora, atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), questionar a democracia brasileira e tentar constranger instituições nacionais. Resultado: o bolsonarismo passou a ser visto internacionalmente como aquilo que sempre foi — um movimento antipatriótico, ressentido e disposto a vender o país para salvar um projeto familiar de poder.
Enquanto Eduardo fazia turismo ideológico em Washington, Lula fazia política. O presidente brasileiro, tratado com respeito por líderes internacionais (inclusive por Donald Trump, ironicamente), reapareceu como figura de estabilidade institucional e liderança democrática. O contraste não poderia ser mais cruel: de um lado, um estadista; do outro, um deputado em fuga, implorando atenção e produzindo vergonha alheia.
Internamente, o estrago foi ainda maior. Eduardo conseguiu iludir a própria base, dividir a direita, aprofundar rachaduras entre bolsonaristas, liberais e conservadores e fortalecer a narrativa de que o bolsonarismo não tem projeto para o Brasil — apenas um projeto de autopreservação. Cada live, cada entrevista, cada denúncia vazia só reforçou a percepção de que o clã Bolsonaro age movido por medo, não por convicção.
O resultado aparece nas pesquisas: Lula cresce, a aprovação melhora e o discurso democrático se fortalece. A extrema direita, por sua vez, segue sem rumo, sem liderança viável e agora sem discurso nacionalista — sequestrado pelo próprio Lula, com ajuda generosa do “03”.
No futebol, diríamos que foi uma atuação de gala. Eduardo Bolsonaro vestiu a camisa 10 do Lula, distribuiu assistências, marcou gols contra e saiu ovacionado… pelo campo adversário.
Se a ideia era salvar o bolsonarismo, deu errado.
Se a ideia era ajudar Lula, parabéns: missão cumprida.
*Everton Gimenis é vice-presidente da CUT/RS
**A opinião contida neste texto não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.
