Condição da Rússia

Ucrânia considera abandonar adesão à Otan se receber garantias dos EUA e União Europeia

Neutralidade ucraniana é 'pedra angular´ da paz para o Kremlin; em Berlim, negociações com os EUA continuam

Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante reunião em Istambul, na Turquia, para preparar a retomada das negociações de paz com a Rússia.
Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante reunião em Istambul, na Turquia, para preparar a retomada das negociações de paz com a Rússia. | Crédito: Ozan Kose/AFP)

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou, no último domingo (14), que poderá abandonar os planos de entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) caso os Estados Unidos e os países europeus ofereçam garantias de segurança à Ucrânia.

“Desde o início, a Ucrânia quis aderir à Otan — essas são garantias de segurança reais. Alguns parceiros dos EUA e da Europa não apoiaram essa aspiração”, disse Zelensky.

“Hoje, as garantias bilaterais de segurança entre a Ucrânia e os EUA, garantias como o Artigo 5º para nós por parte dos EUA, e as garantias de segurança de nossos colegas europeus, bem como de outros países — Canadá, Japão — são uma oportunidade para evitar outra invasão russa”, acrescentou.

Ao comentar a declaração do presidente ucraniano, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou nesta segunda-feira (15) que a questão da potencial adesão da Ucrânia à Otan é uma das mais importantes e não será discutida publicamente.

“Naturalmente, esta questão é uma das pedras angulares e requer uma discussão especial em comparação com outras. Esta é precisamente a essência do processo de negociação, que, gostaria de enfatizar mais uma vez, não queremos conduzir em um ‘formato de megafone'”, disse o porta-voz do Kremlin.

O anúncio de Zelensky acontece antes do fim das negociações com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o genro de Donald Trump, Jared Kushner, que começaram em Berlim em 14 de dezembro.

A saída da Ucrânia da Otan é um dos pontos do plano de paz proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Em junho de 2024, o presidente russo, Vladimir Putin declarou que a neutralidade, o não alinhamento e a não existência de armas nucleares por parte de Kiev estão entre as condições para um acordo de paz.

O secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional, Rustem Umerov, ao comentar o progresso das negociações do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, afirmou que um acordo que aproxime a paz na Ucrânia poderá ser alcançado.

“Nos últimos dois dias, as negociações ucraniano-americanas foram construtivas e produtivas, com progresso real alcançado. Esperamos que até o final do dia cheguemos a um acordo que nos aproxime da paz”, declarou Umerov.

“Há muita especulação anônima e ruído na mídia neste momento. Por favor, não deem ouvidos a boatos e provocações. A equipe americana, liderada por Steve Witkoff e Jared Kushner, está trabalhando de forma extremamente construtiva para ajudar a Ucrânia a encontrar um caminho para um acordo de paz de longo prazo. A equipe ucraniana é extremamente grata ao presidente Trump e sua equipe por todos os seus esforços”, completou.

Editado por: Luís Indriunas

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