A mais nova ofensiva de Washington, ocorrida na segunda-feira (15) com o acordo de cooperação militar no Paraguai, segue a linha da nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, que resgatou elementos da Doutrina Monroe ao caracterizar a América Latina como seu “quintal”. A analista política Ana Prestes avalia, em entrevista ao Conexão BdF da Rádio Brasil de Fato, que a aliança com Assunção já estava sendo desenvolvida desde o ano passado.
“As movimentações entre os países não são de hoje. Ainda como senador, Marco Rubio já possuía uma relação próxima com o presidente paraguaio, Santiago Peña. Em 2024, o atual secretário de Estado esteve no Paraguai, como também se encontraram em outros momentos. Em agosto, receberam o líder de Assunção na Casa Branca para assinar um acordo sobre asilo e imigração”, explica.
Conhecido como Acordo sobre o Status das Forças (Sofa, na sigla em inglês), o convênio foi assinado pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e pelo chanceler paraguaio, Rubén Lezcano.
Prestes também relembra que, mesmo antes do acordo militar, Rubio já havia mencionado a possibilidade de destinar a usina hidrelétrica binacional de Itaipu (Brasil-Paraguai) a empresas estadunidenses de inteligência artificial — o que significaria, nas palavras da analista, “utilizar a nossa água e energia da América do Sul”.
Para a analista política, os EUA fizeram do Paraguai “uma base militar”. Em um momento em que a Casa Branca tem dificuldade de se instalar principalmente na Colômbia, Assunção concedeu esse espaço. “Paraguai e Argentina são dois países que os EUA têm privilegiado nesses acordos”, acrescenta.
Outro ponto destacado pela analista é a megaoperação que aconteceu no Rio de Janeiro — ação das polícias contra o Comando Vermelho (CV) no dia 28 de outubro que resultou em 121 mortes nos complexos da Penha e do Alemão —, na qual o Paraguai se posicionou alegando que “não teria tolerância a narcoterroristas nas fronteiras”. Prestes explica que essa fala de Assunção está “casada com a estratégia dos EUA na América do Sul”.
Além das relações com o Paraguai, os EUA também mantêm laços fortes com outros países latino-americanos como Panamá, Argentina, Guiana, Equador e El Salvador. Nesses países, Washington tenta reativar bases militares e realizar exercícios conjuntos, em uma estratégia que a analista descreve como de “cercar a região através da nova estratégia de Segurança Nacional e de militarização”.
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