O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira (19) que Moscou está disposta a encerrar o conflito ucraniano pacificamente, mas sob as condições delimitadas pela Rússia em 2024.
“A única coisa que quero dizer, e sempre dissemos isso, é que estamos prontos e dispostos a encerrar este conflito pacificamente, com base nos princípios que delineei em junho passado no Ministério das Relações Exteriores da Rússia, e abordando as causas profundas que levaram a esta crise”, afirmou o presidente.
Em 14 de junho de 2024, o presidente russo declarou que se a Ucrânia retirar as suas tropas das regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhye, anexadas pela Rússia durante a guerra, e recusar os planos de entrar na Otan, Moscou adotará “imediatamente um cessar–fogo” e iniciará negociações sobre a guerra da Ucrânia. Na ocasião, Kiev rejeitou a proposta.
A declaração foi feita durante a coletiva de imprensa anual que o líder russo promove com a imprensa russa e internacional, além de ouvir questionamentos da população no formato “linha direta” com o presidente.
Em seguida, o chefe de Estado falou sobre os avanços das tropas russas, que, segundo ele, avançam sobre toda a linha de frente no conflito ucraniano.
“Em geral, imediatamente após nossas tropas expulsarem o inimigo de Kursk, a iniciativa, a iniciativa estratégica, passou inteiramente para as mãos das Forças Armadas Russas. O que isso significa? Significa que nossas tropas estão avançando ao longo de toda a linha de contato, em alguns lugares mais rapidamente, em outros mais lentamente, mas em todas as direções. O inimigo está recuando”, disse.
Ao comentar o andamento das negociações sobre o conflito, no contexto do plano de paz proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, Vladimir Putin disse acreditar que os esforços do líder estadunidense em pôr fim ao conflito na Ucrânia são genuínos.
Segundo o chefe de Estado, durante as negociações com os Estados Unidos no Alasca, a Rússia concordou essencialmente com as propostas da Casa Branca. Putin enfatizou que, nesse sentido, não se pode dizer que Moscou esteja rejeitando quaisquer propostas de resolução da guerra.
“Agora a bola está com o regime de Kiev e seus patrocinadores ocidentais”, concluiu o presidente.
Em 18 de dezembro, Trump afirmou na Casa Branca que havia uma chance de uma resolução rápida para o conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Ele expressou esperança de que Kiev agisse rapidamente, já que “a Rússia muda de ideia” quando a Ucrânia protela.
Putin rechaça preparativos da Otan para uma guerra com a Rússia
O presidente russo, ao comentar a relação de tensão com a Otan, lembrou que o país líder da aliança militar ocidental, os Estados Unidos, não considera a Rússia um adversário ou inimigo, fazendo referência à mais recente doutrina estratégica dos EUA.
“A nova estratégia de segurança nacional [dos EUA] não identifica a Rússia como inimiga ou alvo. Mesmo assim, o secretário-geral da Otan [Mark Rutte] está se preparando para uma guerra conosco. O que é isso? Eles sabem ler? Como podem direcionar a Otan para uma guerra contra a Rússia se o país líder da Otan (os EUA) não nos consideram um adversário ou inimigo?”, declarou o líder russo.
Ao comentar os esforços de Moscou para cooperar com a Otan após o fim da Guerra Fria, Putin destacou que a Rússia não é bem-vinda na Otan e as promessas feitas a Moscou de não expandir a aliança foram ignoradas.
“Fomos enganados mais uma vez. Houve várias ondas de expansão da Otan. E isso é, sem dúvida, o movimento da infraestrutura militar em direção às nossas fronteiras, o que causou e continua a causar nossa legítima preocupação”, observou o chefe de Estado.
