O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta segunda-feira (12) que os protestos em massa no Irã estão sendo fomentados por forças estrangeiras. Ao mesmo tempo, ele disse que Teerã tem a situação sob controle.
“A situação está agora completamente sob controle”, disse o ministro, segundo a mídia iraniana.
De acordo com ele, os protestos estão sendo “incitados e alimentados por elementos estrangeiros”. Ele observou que as forças de segurança iranianas “perseguirão” os responsáveis.
A declaração ocorre em meio a uma das maiores ondas de manifestações no Irã nas últimas décadas. Os protestos no Irã ocorrem desde 28 de dezembro. Inicialmente, foram desencadeados pela grave situação econômica e pela desvalorização da moeda nacional. As manifestações tornaram-se violentas a partir de 2 de janeiro, quando começaram os confrontos armados.
O ministro iraniano observou que, no início de janeiro, o governo conseguiu resolver a maioria das divergências com representantes empresariais, o que levou a uma diminuição da atividade dos protestos. No entanto, de acordo com as autoridades iranianas, a situação se agravou novamente após a intervenção de grupos ligados a Israel e aos Estados Unidos, em Teerã.
Segundo o ministro Abbas Araghchi, o Irã não busca a guerra, “mas está totalmente preparado para ela”, conforme divulgado pela imprensa internacional.
“Também estamos prontos para negociações, mas essas negociações devem ser justas, com igualdade de direitos e baseadas no respeito mútuo”, disse o ministro durante uma coletiva de imprensa.
Araqchi também expressou a opinião de que os protestos se tornaram “violentos e sangrentos” para dar ao presidente dos EUA, Donald Trump, “uma desculpa para uma invasão”.
“Estamos prontos para a guerra, mas também estamos prontos para o diálogo”, disse o ministro das Relações Exteriores iraniano.
Protestos no Irã
Protestos no Irã eclodiram em Teerã em 28 de dezembro de 2025, quando comerciantes iniciaram os protestos devido à forte desvalorização da moeda nacional em relação às moedas estrangeiras e às crescentes dificuldades econômicas no país. Rapidamente os protestos se espalharam para diversas cidades do país.
Segundo a agência de notícias Tasnim, até 7 de janeiro, o número de policiais feridos havia chegado a 568 e o número de voluntários da Basij feridos a 66. No entanto, as autoridades iranianas não divulgaram informações sobre mortes.
Já de acordo com o grupo de direitos humanos HRANA, o número de mortos durante as manifestações passou de 500, sendo que 490 manifestantes e 48 policiais teriam morrido durante os atos. Além disso, a organização informa que mais de 10.670 pessoas teriam sido presas.
Em 8 de janeiro, os protestos em Teerã se intensificaram drasticamente. Durante os distúrbios, manifestantes incendiaram e destruíram um número significativo de prédios, incluindo ônibus e ambulâncias, 24 prédios residenciais, 25 mesquitas, dois hospitais, 26 bancos e outros prédios governamentais e públicos.
Após a intensificação dos protestos, as autoridades iranianas impuseram uma restrição nacional ao acesso à internet. Nesta segunda-feira (12), o ministro das Relações Exteriores russo garantiu que a internet será restaurada no Irã em breve.
Anteriormente, o presidente dos EUA, Trump, afirmou que Washington estava monitorando os protestos no Irã e considerando várias opções. “Os militares estão investigando isso. E estamos considerando algumas opções muito sérias. Tomaremos uma decisão”, disse Trump.
“Os militares estão estudando a situação. E estamos considerando algumas opções muito sérias. Tomaremos uma decisão”, disse Trump a jornalistas.
Questionado sobre como os EUA responderiam caso o Irã atacasse bases militares americanas, Trump disse: “Atacaremos em uma escala nunca vista antes”.
