A Região Autônoma Uigur de Xinjiang registrou crescimento econômico de 5,5% em 2025, acima da média nacional chinesa, apesar das sanções impostas pelos Estados Unidos e União Europeia desde 2020 a setores-chave, como as indústrias de algodão e tomate.
O governador Erkin Tuniyaz de Xinjiang divulgou os dados nesta terça-feira (27) durante a sessão anual da Assembleia Popular regional, informando que o Produto Interno Bruto (PIB) atingiu 2,15 trilhões de yuans (R$ 1,6 trilhão), com o comércio exterior crescendo 19,9% e a renda per capita anual dos moradores rurais ultrapassando pela primeira vez a marca de 20 mil yuans, chegando a 20.793 yuans (R$ 15,5 mil), representando um aumento de 7%.
O processo das sessões anuais da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e das Assembleias Populares – conhecidas como Duas Sessões – começou na China em janeiro de 2026. Elas acontecem em quatro níveis: de condados, municipal, provincial e nacional.
As reuniões representam a etapa final de avaliação e aprovação do trabalho governamental do ano anterior e definem diretrizes e prioridades para o período seguinte. As sessões locais também servem para preparar os assuntos das sessões de nível nacional, que acontecerão no início de março.
Como o 14º Plano Quinquenal encerrou-se em 2025, as sessões também fazem balanço desse período e também apresentam definições para o seguinte plano.
Em 2020, durante o primeiro governo Trump, os EUA aprovaram a Lei de Política de Direitos Humanos Uigur, que sancionou funcionários da região sob acusação de violações de direitos humanos e iniciou boicote econômico a produtos locais. As medidas foram seguidas por Canadá, Reino Unido e União Europeia, impactando principalmente as exportações de algodão, tomate e polissilício de Xinjiang.
De 2018 até 2023, mais de 40 empresas e três entidades não comerciais em Xinjiang foram sancionadas sob alegação de “trabalho forçado”, o que levou à interrupção das atividades de mais de 100 empresas na região, segundo dados oficiais do governo regional. Por conta das medidas iniciadas pelo governo Trump, a média anual de trabalhadores de empresas têxteis, de vestimentas e acessórios de Xinjiang diminuiu 28,6% em 2023, ainda segundo informações do governo.
Turismo e resposta a narrativas ocidentais
Xinjiang recebeu 323 milhões de turistas em 2025, crescimento de 8% em relação ao ano anterior, o que rendeu à região 370 bilhões de yuans (R$ 277,4 bi), segundo dados oficiais. O relatório governamental destaca que a região tem utilizado o setor turístico para promover intercâmbios entre os diferentes grupos étnicos. Xinjiang é a única região da China onde todas as 56 etnias do país estão presentes.
A abertura ao turismo é uma das respostas à campanha do Norte Global sobre as supostas violações de direitos humanos na região, permitindo que visitantes nacionais e internacionais observem diretamente a realidade local.
Revitalização rural e foco na região sul
Durante o 14º Plano Quinquenal (2021-2025), 222.400 famílias receberam apoio através da estratégia de revitalização rural para garantir que não houvesse retrocesso em larga escala à pobreza, segundo o relatório do governador Erkin Tuniyaz .
O vice-diretor do Departamento de Agricultura de Xinjiang, Xie Yingzhou, informou ao Brasil de Fato que mais de 60% dos fundos destinados à revitalização rural foram alocados para fortalecer pequenas agroindústrias. “Para garantir que os agricultores se beneficiem de toda a cadeia de valor, implementamos mecanismos como contratos de produção com preços garantidos, partilha de lucros e participação acionária”, explicou Xie.
O caso da vila de Yaozhan, no condado de Qitai, província de Changji, exemplifica o modelo: agricultores montaram uma cooperativa focada no cultivo de trigo que distribuiu mais de 50 milhões de yuans (R$ 37,5 milhões) em dividendos, obteve lucro de 4,25 milhões de yuans (R$ 3,1 milhões) em 2025 e pagou mais de 22 milhões de yuans (R$ 16,5 milhões) em salários, bônus e subsídios de seguridade social.
O foco principal das políticas de desenvolvimento tem sido a região sul de Xinjiang, historicamente mais empobrecida devido à escassez de água e solos frágeis, entre outros fatores. “Concentraremos nossos esforços em municípios e cidades-chave no sul de Xinjiang e implementaremos medidas de assistência rotineiras e direcionadas. Todas as famílias sob monitoramento serão totalmente incluídas em nosso sistema de apoio, garantindo intervenções precisas e eficazes para que nenhum agricultor volte a viver em situação de pobreza ou se torne ainda mais pobre”, afirmou Xie Yingzhou.
Avanços ambientais e tecnológicos
Xinjiang completou, em 2025, o florestamento de 3,09 milhões de mu (206 mil hectares), a melhoria de pastagens de 4,8 milhões de mu (320 mil hectares) e o tratamento de terras desertificadas de 6,91 milhões de mu (461 mil hectares), de acordo com o relatório governamental.
O projeto de contenção ao redor do deserto de Taklamakan, conhecido como “cachecol verde”, foi expandido em 9,38 milhões de mu (625 mil hectares) e foi selecionado como uma das “10 Grandes Conquistas de Engenharia Global de 2025”. O cinturão ecológico ao redor do deserto, com 3.046 quilômetros de extensão, completou seu fechamento em 2025.
A região adicionou 63,33 milhões de quilowatts de capacidade de energia renovável, com transações de eletricidade verde atingindo 3,17 bilhões de quilowatts-hora, um aumento de 52,8% em relação ao ano anterior.
O vice-diretor do Departamento de Indústria e Tecnologia da Informação de Xinjiang, Cui Tao, destacou a inauguração no último plano quinquenal de um alto-forno industrial de ciclo de carbono enriquecido com hidrogênio, com capacidade de 2.500 metros cúbicos. “Essa única instalação reduz as emissões de carbono em 600 mil toneladas anualmente e melhora a eficiência de conversão em mais de 40%. Fundamentalmente, essa tecnologia é aplicável a aproximadamente 90% da indústria siderúrgica da China, representando uma contribuição significativa para a descarbonização global”, informou Cui Tao.
Perspectivas para 2026-2030
Para o 15º Plano Quinquenal (2026-2030), Xinjiang estabeleceu nove grandes objetivos, incluindo desenvolvimento de alta qualidade, fortalecimento da segurança nacional, aprofundamento de reformas e elevação do nível de abertura externa. A meta de crescimento do PIB para 2026 foi estabelecida entre 5,5% e 6%.
O governo regional prevê para 2026 o crescimento de 7,5% no valor agregado da indústria, aumento de 8% nos investimentos em ativos fixos, crescimento de 6% nas vendas no varejo e expansão de 10% no comércio exterior. As metas incluem criação de 470 mil novos empregos urbanos e manutenção da taxa de desemprego urbano em 5,5%.
