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Reforma Administrativa perde assinaturas, mas segue como ameaça no Congresso

Retirada de apoios enfraquece PEC 38/2025, mas sindicatos alertam que proposta exige mobilização permanente

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Pressão das ruas freia avanço da PEC da Reforma Administrativa, mas proposta segue no radar do Congresso.
Pressão das ruas freia avanço da PEC da Reforma Administrativa, mas proposta segue no radar do Congresso. | Crédito: Fórum dos Servidores Estaduais de Santa Catarina

A retirada de assinaturas de 16 deputados federais da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 38/2025, conhecida como PEC da Reforma Administrativa, representou um revés importante para os defensores da proposta no Congresso Nacional. Ainda assim, entidades sindicais alertam que a reforma continua sendo um risco concreto, já que mantém apoio de setores estratégicos da Câmara e integra uma agenda permanente de redução do Estado e precarização do serviço público.

Protocolada na Câmara dos Deputados no último ano, a PEC 38/2025 propõe mudanças profundas no regime jurídico dos servidores públicos, alterando regras de contratação, estabilidade, avaliação de desempenho e ampliando a possibilidade de vínculos temporários. De autoria do deputado Zé Trovão (PL-SC), a proposta alcançou inicialmente as 171 assinaturas mínimas necessárias para tramitar, mas passou a enfrentar forte resistência social logo após sua apresentação.

Entre os dias 28 de outubro e 5 de novembro, 16 parlamentares formalizaram a retirada de suas assinaturas, movimento impulsionado por protestos, paralisações e pela atuação coordenada de sindicatos e frentes em defesa do serviço público.

As mobilizações ocorreram em diversos estados e culminaram em uma paralisação nacional de 24 horas no Distrito Federal. Os deputados que recuaram apontaram preocupações técnicas e sociais. 

Direitos ameaçados

Apesar do enfraquecimento momentâneo, a PEC segue contando com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do relator do Grupo de Trabalho da Reforma Administrativa, Pedro Paulo (PSD-RJ), o que mantém a proposta no radar do Congresso.

Para Mônica Carneiro, diretora das Executivas do Sindicato dos Servidores Públicos (Sindsep-DF) e da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), a retirada das assinaturas é resultado da pressão social, mas não significa o fim da ameaça.

“A reforma administrativa faz parte de uma ofensiva de diversos setores ligados ao capital financeiro que buscam, por meio da precarização das relações de trabalho e do sucateamento dos órgãos públicos, ampliar seus lucros”, afirma.

Segundo ela, o que está em disputa vai além das regras do funcionalismo. “O que está em xeque é um projeto privatista e fiscalista, que pretende reduzir ainda mais os investimentos sociais acessados pela classe trabalhadora por meio de serviços públicos universais, gratuitos e de qualidade”, explica.

Mobilização permanente

Carneiro ressalta que a PEC 38 reproduz no setor público os efeitos já sentidos após as reformas trabalhista e previdenciária. “Buscam levar para o serviço público os mesmos efeitos das reformas aprovadas no último período, avançando inclusive na terceirização ilimitada e na contratação temporária, sob o discurso enganoso da modernização”, critica.

De acordo com a dirigente sindical, embora a mobilização tenha conseguido barrar a tramitação no ano passado, o risco permanece. “Seguimos em vigilância total, porque a reforma administrativa representa uma ameaça permanente. Ela expressa os interesses de organizações patronais e de uma rede de transmissão do pensamento liberal dentro do Estado brasileiro”, afirma.

Para os sindicatos, o recuo de parte dos parlamentares demonstra que a pressão popular funciona, mas também reforça a necessidade de mobilização contínua. “Seguiremos em unidade, organizados e mobilizados para barrar não apenas a PEC 38, mas qualquer projeto que atenda à lógica de corte de investimentos públicos e de diminuição dos serviços públicos”, conclui Mônica Carneiro.

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Editado por: Clivia Mesquita

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