FÉ E LUTA

Salve a 48ª Romaria da Terra!

'Precisamos retomar o compromisso com a vida, usando os bens deste mundo que vise o respeito total ao meio ambiente'

No audio source provided.
Tradicional Romaria da Terra do RS deve levar milhares de romeiros e romeiras até o Caaró
Tradicional Romaria da Terra do RS deve levar milhares de romeiros e romeiras até o Caaró | Crédito: Arquivo CPT / Nilton Films

Está próxima a 48ª Romaria da Terra do RS, que será realizada em Caibaté, no Santuário do Caaró, no dia 17 de fevereiro (terça-feira, feriado de Carnaval). Do mesmo modo que fez no último ano, o Brasil de Fato vai publicar uma série de artigos a partir de diferentes segmentos que estarão representados na Romaria. O primeiro texto é assinado bispo Dom Liro Vendelino Meurer, que está a frente da diocese que é anfitriã desta edição da Romaria da Terra, Santo Ângelo.


A equipe ampliada na preparação da 48ª Romaria da Terra escolheu como Tema: 400 anos de evangelização missioneira: Terra sem males e ecologia integral e o lema: “Eu vi um novo céu e uma nova terra”.

O que representam os 400 anos para o povo Guarani e para todos nós?

Celebramos em 2026 400 anos da entrada dos jesuítas no Rio Grande do Sul, no Passo do Padre, em São Nicolau, em 1626. Os Santos Mártires das Missões, São Roque, Santo Afonso de Rodrigues e São João de Castilhos, foram canonizados em 1988 pelo papa João Paulo II, em Assuncion, Paraguai. O martírio aconteceu em 1628, os dois primeiros em Caibaté, local do atual santuário do Caaró e paróquia todos os Santos. São João de Castilho foi martirizado em Assunção do Ijuí, Santuário.

Hoje existem diversas compreensões e interpretações sobre a presença e o trabalho dos Jesuítas com o povo Guarani. É necessário passar para a atual geração o verdadeiro sentido e o olhar das reduções Jesuítico-guarani. Os jesuítas e o povo Guarani propuseram um modo de vida comunitário com alimento em abundância, sem passar fome. “As reduções são o resultado de negociações e não de submissão dos guaranis aos jesuítas pelo uso da força. Esses indígenas nunca foram escravizados pelos padres.” (Sérgio Venturine, Encontro de dois sonhos, pg. 40)

Não podemos esquecer o enfoque principal: Uma terra sem males, o bem viver, amor, respeito para com os que habitam esta terra antes da chegada dos europeus. A espiritualidade vai no sentido de que a terra é espaço sagrado. O sonho do povo Guarani: que a terra é sem males e significa para o Guarani o paraíso terrestre. Viver em harmonia com a natureza, viver num estado de perfeição.

Conforme Sérgio Venturine, “para o cacique Hilário Acosta, da aldeia Takuapi, de Misiones, Argentina, a Terra sem males é uma constante viagem em busca da perfeição, algo muito difícil como no tempo dos antepassados, pois já não existe mais selva para nela viver em harmonia, afastado da influência dos brancos que não entende o modo de viver do Guarani”. (Encontro de Dois Sonhos – Utopia e Terra Sem Mal, pg 37-38). A meta mais íntima do guarani ao caminhar pela vida nesta terra é alcançar a harmonia absoluta, o estado pessoal de perfeição.

A Romaria da Terra é um momento importante na caminhada da Igreja no Rio Grande do Sul e para refletir sobre nossa atual missão no cultivo e uso da terra, que seja para o bem viver respeitando o que esta representa para nós.

Certamente não nos compete apenas fazer constatações, denúncias etc., mas mostrar o que fazemos na prática para ajudar na conscientização sobre um outro jeito de cultivar a terra. Uma das propostas é continuar e aperfeiçoar a agricultura familiar que se faz presente em muitos eventos que acontecem no Rio Grande do Sul.

A ecologia integral é necessária porque tudo está interligado. Tudo é importante e necessário. Não há como ignorar todas as coisas criadas, isto é, o ser humano, a flora e a fauna. A vida humana, a saúde e o bem-estar em geral dependem do cuidado com a casa comum. Ou mudamos, convertendo-nos com nossas atitudes individuais e coletivas ou provocaremos um colapso planetário.

Na celebração dos 400 anos precisamos retomar o nosso compromisso com a vida, usando os bens deste mundo, da criação que vise o respeito total ao meio ambiente para o equilíbrio da natureza. Ou assumimos ou nos autodestruiremos.

*Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Katia Marko

|

Newsletter