Conexão BdF

Extrema direita vai tentar ampliar bancada feminina, afirma cientista política

Flávia Biroli afirma que cabe à esquerda reconhecer as desigualdades e oferecer alternativas de políticas públicas

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Extrema direita tentará conquistar o voto feminino em outubro
Extrema direita tentará conquistar o voto feminino em outubro | Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Nos últimos anos, a representação feminina na Câmara dos Deputados e no Senado passou a contar com figuras de extrema direita, como as deputadas bolsonaristas Carla Zambelli (PL-SP, hoje presa na Itália), Julia Zanatta (PL-SC), Bia Kicis (PL-DF) e Caroline de Toni (PL-SC) ou a senadora Damares Alves (PL-DF). Nas eleições deste ano, o objetivo desse movimento político é aumentar o contingente delas.

“Os partidos de direita estão arregimentando mulheres ultraconservadoras para disputar as eleições. Eles combinam essa agenda da mulher na política com uma agenda bastante conservadora, que coloca as mulheres em uma posição tradicional”, destacou a cientista política Flávia Biroli, professora da Universidade de Brasília (UnB), em entrevista ao jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta terça-feira (3).

O investimento é compreensível, diante de levantamentos que mostram que, hoje, o voto feminino é mais ligado à esquerda, enquanto os homens se aproximam da direita (e, por consequência, da extrema direita). Segundo Biroli, as eleições de 2018 marcaram o início dessa mudança. Na ocasião, Jair Bolsonaro, então no PSL, foi eleito presidente, e a onda de extrema direita garantiu mandatos a deputados, senadores e governadores alinhados a ele com discurso fortemente antifeminista.

“Quando começa a ter padrão de voto diferente [entre mulheres e homens]? Quando aparece uma extrema direita misógina, que rejeita abertamente boa parte das políticas criadas para produzir efeitos de igualdade e justiça. Mulheres de diferentes movimentos sociais detectam nessa característica da extrema direita algo que é um risco para elas”, afirmou.

A especialista afirma que os governos petistas estabeleceram políticas públicas que reconhecem as desigualdades de gênero e a especificidade das violências sofrida pelas mulheres. Isso, no caso brasileiro, teve impacto na disparidade entre o voto feminino e o masculino.

“As mudanças nos valores, nas possibilidades de inserção das mulheres, porque esses valores foram se transformando junto com mudanças no mercado de trabalho, permitiram que as mulheres ocupassem outro espaço. As mulheres passaram a ter um nível educacional superior ao dos homens no mundo todo”, explicou.

“Cabe à esquerda, às forças democráticas, apresentar plataformas que não só reconheçam as desigualdades, mas ofereçam alternativas de políticas públicas que, de verdade, respondam às necessidades, principalmente das mulheres mais pobres. Sem isso a extrema direita pode construir uma narrativa que parece oferecer alternativas, numa ideia de algum tipo de retorno a uma forma antiga de ser mulher”, concluiu.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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