Sanções dos EUA

‘Não se pode estrangular um povo assim’: presidenta do México reitera apoio a Cuba em meio à pressão dos EUA

México envia 814 toneladas de ajuda humanitária a Cuba e garante que seguirá buscando formas de enviar petróleo

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Navios saindo de Veracruz (México) rumo a Cuba com doações.
Navios saindo de Veracruz (México) rumo a Cuba com doações. | Crédito: (Foto: Governo do México)

“Nós vamos continuar apoiando e seguimos realizando todas as ações diplomáticas necessárias para recuperar o envio de petróleo, porque não se pode estrangular um povo assim”, afirmou nesta segunda-feira (9) a presidenta do México, Claudia Sheinbaum.

Durante sua coletiva matinal, a Mañanera do Povo, a mandatária voltou a se referir à difícil situação que Cuba atravessa, afirmando que “ninguém pode se omitir” diante do que enfrenta o povo cubano. Além disso, qualificou como “muito injusto” que os Estados Unidos pretendam sancionar com tarifas os países que exportam petróleo para a ilha.

“Sim, haverá mais apoio. O povo mexicano sempre foi solidário. Ninguém pode se omitir diante da situação que o povo de Cuba está vivendo neste momento, devido às sanções que estão sendo impostas a qualquer país que envie petróleo para lá pelos Estados Unidos, de maneira muito injusta.”

A presidente Sheinbaum também insistiu que o bloqueio imposto unilateralmente pelos Estados Unidos afeta diretamente o povo cubano. “Pode-se concordar ou não com o regime do governo de Cuba, mas os povos nunca devem ser prejudicados. Nós vamos continuar apoiando e seguimos realizando todas as ações diplomáticas necessárias para recuperar o envio de petróleo, porque não se pode estrangular um povo assim”, destacou.

México envia 814 toneladas de ajuda humanitária

As declarações da presidente acontecem um dia após dois navios carregados com mais de 814 toneladas de doações do Estado mexicano terem partido do porto de Veracruz com destino à ilha caribenha, a título de ajuda humanitária.

Segundo detalhou a Secretaria de Relações Exteriores do México em comunicado, a doação inclui pouco mais de 277 toneladas de leite em pó, enquanto cerca de 536 toneladas correspondem a alimentos de primeira necessidade e artigos de higiene pessoal. Estima-se que a ajuda chegue a Cuba em quatro dias.

“Com essas ações, o governo do México reafirma os princípios humanistas e a vocação solidária que o guiam, assim como seu compromisso com a cooperação internacional entre povos, sobretudo com aqueles que, em situações de emergência e vulnerabilidade, necessitam de ajuda humanitária. Cuba e México são povos irmãos, herdeiros de uma longa história de solidariedade que hoje honramos”, destacou o comunicado.

Além disso, de acordo com o governo mexicano, será realizado um segundo envio, com mais de 1.500 toneladas adicionais de leite em pó e feijão.

Nas redes sociais, o embaixador cubano no México, Eugenio Martínez Enríquez, agradeceu as doações: “Nosso sincero e profundo agradecimento ao governo do México, ao seu povo e à sua presidente pela ajuda material enviada ao povo cubano. Essa ajuda contribuirá para mitigar as consequências da cruel guerra econômica contra Cuba.”

Guerra econômica contra Cuba

A ajuda humanitária do México a Cuba ocorre após o endurecimento da política de guerra econômica dos Estados Unidos contra a ilha. No dia 29 do mês passado, o governo de Washington anunciou a imposição de sanções por meio de novas tarifas aos países que “vendam ou forneçam petróleo a Cuba”, a menos que adotem medidas significativas para se alinhar com os “objetivos de segurança e política externa” dos Estados Unidos.

Diante da falta de energia no país, o governo cubano implementou uma série de medidas de emergência voltadas à população, retomando algumas ações adotadas durante o chamado “período especial”.

Entre essas medidas estão a redução das jornadas de trabalho e das aulas em universidades — mantendo-se o ensino fundamental —, a diminuição ou suspensão do transporte público, a intensificação dos prolongados cortes de energia elétrica e a realocação de combustíveis para garantir o fornecimento de água em residências mais vulneráveis e em locais de trabalho.

Além disso, o Estado cubano iniciou a instalação de 5 mil sistemas fotovoltaicos em residências sem eletricidade localizadas em áreas rurais e de difícil acesso. Paralelamente, estão sendo instalados outros 5 mil sistemas em centros essenciais de atendimento à população, como casas maternas, lares de idosos, policlínicos e residências infantis que dependem de equipamentos elétricos para tratamento.

Também estão sendo destinados 10 mil sistemas fotovoltaicos adicionais para que profissionais de saúde, educadores e outros trabalhadores essenciais possam adquiri-los com facilidades de pagamento e instalá-los em suas casas.

Diante das crescentes ameaças de Washington, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reiterou recentemente que “Cuba está disposta a dialogar com os Estados Unidos sobre qualquer tema que se discuta”, enfatizando que a única condição para esse diálogo é que ele ocorra “a partir de uma posição de igualdade e pleno respeito à soberania, independência e autodeterminação de Cuba.”

Editado por: Luís Indriunas

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