Dias de festa

Carnaval no Rio de Janeiro: confira os enredos e a ordem dos desfiles

Apresentação na Sapucaí das 12 escolas do Grupo Especial acontecem nos dias 15 a 17 de fevereiro

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Foto do desfile da Unidos da Tijuca em 2025
Desfiles de 2026 celebram personalidades contemporâneas, históricas e religiões de matriz africana | Crédito: Tata Barreto/RioTur

A Sapucaí está cheia de homenagens em 2026. Entre os 12 sambas-enredo que irão passar pela avenida, oito estão dedicados a narrar a história de vida de seus biografados ligados a arte, política e a religiões afro-brasileiras.

A escola que abre os desfiles é estreante no Grupo Especial, Acadêmicos de Niterói, campeã de Série Ouro em 2025. Em 2026, a Acadêmicos volta a falar de raízes nordestinas e homenageia a trajetória do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre os homenageados mais contemporâneos também estão os músicos Ney Matogrosso, como tema da Imperatriz Leopoldinense, Rita Lee pela Mocidade e a carnavalesca Rosa Magalhães, pelo Salgueiro.A

Ainda há mais enredos biográficos que passarão pela Sapucaí. A Unidos da Tijuca se dedica à escritora Carolina Maria de Jesus. A Portela ao príncipe negro de Porto Alegre e líder religioso, Custódio do Bará. Indo ao outro extremo do país, a Mangueira homenageia Mestre Sacaca, o guardião da Amazônia e do saber ancestral.

As escolas do Grupo Especial, a elite do carnaval fluminense, desfilam nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro. As seis primeiras colocadas voltam à passarela do samba dia 21 de fevereiro para o desfile das campeãs.

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Acompanhe a ordem dos desfiles e os temas que serão levados à Sapucaí:

Domingo (15 de fevereiro)

Acadêmicos de Niterói

Título: Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil

Além de traçar a trajetória de vida de Lula, a letra ressalta investimentos na educação e no combate à fome. “Tem filho de pobre virando doutor / comida na mesa do trabalhador / a fome tem pressa”, diz o samba.

A letra não deixa de citar a luta contra a ditadura militar (1964-1985) e segue até os fatos mais recentes da nossa história. “Sem temer tarifas e sanções / Assim que se firma a soberania / Sem mitos falsos, sem anistia”.

Imperatriz Leopoldinense

Título: Camaleônico

Sem ver pecado ao sul do Equador, o samba traz grandes sucessos da música brasileira eternizados na voz Ney Matogrosso e a sua personalidade libertária e transgressora. “Sou meio homem, meio bicho / O silêncio e o grito / Pássaro, mulher / Que pinta a verdade no rosto / Traz a coragem no corpo / E nunca esconde o que é”, diz o samba.

Portela

Título: O Mistério do Príncipe do Bará – a Oração do Negrinho e a Ressurreição de Sua Coroa Sob o Céu Aberto do Rio Grande

O samba conta a trajetória de Custódio Joaquim de Almeida, líder africano que se estabeleceu Porto Alegre. A figura histórica do século 19 se tornou símbolo da religiosidade e ancestralidade afro-gaúcha. 

“Portela / Tu és o próprio trono de Zumbi / Do samba, a majestade em cada ori / Yalorixá de todo axé / Enquanto houver um pastoreio / A chama não apagará / Não há demanda que o povo preto não possa enfrentar”, diz a letra.

Estação Primeira de Mangueira

Título: Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra

A Mangueira enaltece as tradições afro-indígenas do Norte ao trazer para avenida Mestre Sacaca. Raimundo dos Santos Souza foi curandeiro, folião e defensor dos povos da floresta. “Salve o curandeiro / Doutor da floresta / Preto velho, saravá / Macera folha, casca e erva / Engarrafa a cura, vem alumiar / Defuma folha, casca e erva / Saravá”, diz a letra.

Na Sapucaí, a verde e rosa evoca sua presença como entidade, o Xamã Babalaô. “A magia do meu tambor te encantou no Jequitibá / Chamei o povo daqui, juntei o povo de lá / Na estação primeira do Amapá”. 

Segunda (16 de fevereiro)

Mocidade Independente de Padre Miguel

Título: Rita Lee, a padroeira da Liberdade

“Um belo dia resolvi mudar / Cansei dessa gente careta / Aos seus bons costumes eu sinto informar / Formei outras ovelhas negras”, começa o samba que é cheio de referências ao vanguardismo da cantora, às suas letras e jeito bem-humorado. A cantora faleceu em 2023, em São Paulo.

Beija-Flor de Nilópolis

Título: Bembé

Em um dos poucos sambas que não são baseados em uma biografia, a campeã de 2025 celebra o Candomblé. “Não me peça pra calar minha verdade / Pois a nossa liberdade, não depende de papel / Em Santo Amaro, todo treze de maio / Nossa ancestralidade é festejada à luz do céu”, afirma o samba sobre as manifestações que reverberam a força do povo preto em prol da liberdade.

Unidos do Viradouro

Título: Pra cima, Ciça

Em mais um enredo biográfico em 2026, a Viradouro homenageia seu mestre de bateria e de tanta outras escolas, Moacyr da Silva Pinto. O sambista completa 70 anos de vida e 55 anos do seu primeiro desfile, e vai cruzar a Sapucaí em pleno ofício.

“Ciça, gratidão pelas lições que eu pude aprender / E, hoje, aos teus pés / Somos todo um nessa avenida / Num furacão que nunca vai ter fim”, diz um trecho.

Unidos da Tijuca

Título: Carolina Maria de Jesus

Mineira, a escritora morou mais de uma década na favela Canindé, em São Paulo. Foi a partir do sucesso do livro Quarto de despejo – o diário de uma favelada que ela venceu a fome e deixou a região.

“Os olhos da fome eram os meus / Justiça dos homens, não é maior que a de Deus / Meu quarto foi despejo de agonia / A palavra é arma contra a tirania”, diz o samba.

Além de retratar um dos maiores sofrimentos do ser humano, a letra reivindica outro desfecho para aquelas que viveram na pele o mesmo cenário. “Por ser livre nas palavras / Condenaram meu saber / Fui a caneta que não reproduziu / A sina da mulher preta no Brasil”.

Terça-feira (17 de fevereiro)

Paraíso do Tuiuti

Título: Lonã Ifá Lukumi

A Paraíso do Tuiuti vai apresentar a história dos orixás afro-cubanos. “E o negro iniciado no segredo / Do reino de Olokun fez sua trilha / Rompendo os grilhões de morte e medo / Foi o primeiro babalaô da ilha”, diz o samba.

Segundo a vertente religiosa, existe uma conexão espiritual entre Cuba e o Brasil, enraizada nos orixás e ancestrais africanos, que se enlaçam cultural e energeticamente há gerações.

Unidos de Vila Isabel

Título: Macumbembê, Samborembá: Sonhei Que Um Sambista Sonhou a África

A Vila Isabel celebra um dos percursores do samba no país: Heitor dos Prazeres. O enredo celebra as memórias e os percursos de “um homem do povo”, multiartista, sambista, inventor e sonhador, que pintou e bordou no carnaval. E reafirma: “macumba é samba e o samba é macumba”. 

“Ora yê yê ô, Oxum / Kabecilê, Xangô / Meus senhos e tambores, tintas e ‘prazeres’ / Pra você, Heitor”, diz a letra.

“Um Ogã-alabê, macumbeiro / A fumaça do cachimbo, preto-velho soprou / Encanto da gira e da de bamba / Poesia na curimba, batuqueiro e cantador”, diz o refrão.

Acadêmicos do Grande Rio

Título: A Nação do Mangue

A escola de Duque de Caixas mergulha na história do movimento de contracultura Manguebeat, que surgiu no Recife nos anos 1990. “Eu sou do mangue, filho da periferia / Sobre uma palafita Grande Rio anunciou / Ponta de lança é Daruê / Dobra o Gonguê… a revolução já começou”, diz o samba. O manifesto que emergiu das juventudes periféricas continua atual na sua crítica social.

Acadêmicos do Salgueiro

Título: A Delirante Jornada Carnavalesca da Professora Que Não Tinha Medo de Bruxa, de Bacalhau e Nem do Pirata da Perna-de-Pau

Para encerrar os três dias de desfile, outro samba-enredo biográfio. A escola do Andaraí, presta homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, que morreu em 2024. “Mestra, você me fez amar a festa e eu virei carnavalesco / Sonhei ser Rosa, te faço enredo”, diz um trecho.

A artista revolucionou a forma de fazer carnaval, e acumulou sete títulos no sambódromo. “Ô lê lê! Eis a flor dos amanhãs / A décima estrela brilha em Rosa Magalhães / Onde o samba é primavera, que floresce em fevereiro”.

Editado por: Juliana Passos

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