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Confira o samba-enredo das escolas de samba que desfilarão em São Paulo

As 14 escolas de samba do Grupo Especial desfilam no Sambódromo do Anhembi na sexta-feira (13) e no sábado (14)

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No total, 14 escolas de samba desfilam no Sambódromo do Anhembi
No total, 14 escolas de samba desfilam no Sambódromo do Anhembi | Crédito: Divulgação/Liga SP

As 14 escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo desfilam no Sambódromo do Anhembi, na zona norte da capital paulista, na sexta-feira (13) e no sábado (14). 

No primeiro dia, os desfiles começam com a Mocidade Unida da Mooca, seguida por Colorado do Brás, Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé, Rosas de Ouro, Vai-Vai e Barroca Zona Sul. Já no sábado, é a vez de Império de Casa Verde, Águia de Ouro, Mocidade Alegre, Gaviões da Fiel, Estrela do Terceiro Milênio, Tom Maior e Camisa Verde e Branco.

No geral, os enredos das 14 escolas percorrem temas que vão da valorização das mulheres negras e dos povos originários à religiosidade de matriz africana, passando por lutas sociais, agricultura, meio ambiente e espiritualidade. As narrativas também incluem homenagens a personalidades da cultura brasileira, como a atriz Léa Garcia e o compositor e poeta Paulo César Pinheiro.

Confira os enredos das 14 escolas

Mocidade Unida da Mooca
A letra da Mocidade Unida da Mooca faz referência à resistência negra e à valorização do sagrado feminino a partir de elementos das religiões de matriz africana. O samba menciona termos como quilombo, xirê, itã e orixás como Iemanjá e Oxum, além de citar figuras femininas ligadas à ancestralidade africana. 

O enredo exalta o Geledés – Instituto da Mulher Negra, fundado por Sueli Carneiro, e associa a narrativa à ideia de libertação, irmandade e mobilização coletiva. Ao longo dos versos, a composição destaca a memória das ancestrais, a organização das mulheres negras e a luta por igualdade, reforçando a noção de continuidade histórica e ação no presente.

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Colorado do Brás
A segunda escola a entrar na avenida, Colorado do Brás, aborda em seu samba-enredo a figura da bruxa como referência à perseguição e à Inquisição, resgatando a imagem de mulheres associadas à feitiçaria como alvo de julgamento e violência. 

Ao mencionar rituais, lua cheia, curandeiras e saberes ancestrais, a composição propõe uma releitura desse imaginário a partir da valorização do conhecimento feminino. No geral, o enredo apresenta a bruxa como expressão de enfrentamento ao opressor e como representação de mulheres que resistem às narrativas de medo e exclusão ao longo do tempo.

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Dragões da Real
A Dragões da Real, por sua vez, entrará na avenida pela primeira vez com um samba-enredo sobre o tema indígena. Com a música Guerreiras Icamiabas – Uma lendária história de força e resistência, a escola resgata a narrativa das Icamiabas, uma tribo de mulheres guerreiras que compunham uma sociedade matriarcal, a partir de referências a elementos da cultura indígena e do universo amazônico.

A composição associa a saga das guerreiras à defesa do território e ao enfrentamento do invasor, vinculando passado e presente na preservação da floresta. Ao longo dos versos, o enredo apresenta as Icamiabas como expressão de resistência coletiva e de continuidade cultural. Além disso, o samba menciona termos ligados à natureza, à espiritualidade e à cosmologia dos povos originários, como pajelança, maracás, Iara e Anhangá, além de destacar símbolos como o muiraquitã e o urucum. 

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Acadêmicos do Tatuapé
A letra da Acadêmicos do Tatuapé aborda a origem da agricultura e a relação histórica entre terra, trabalho e conflito social. Com o enredo Plantar para colher e alimentar. Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra, o samba menciona a invasão de territórios, a resistência negra e episódios como a Guerra de Canudos, no sertão da Bahia, no fim do século 19. 

A composição relaciona a concentração fundiária à desigualdade e destaca a reivindicação por acesso à terra como parte da luta por dignidade. Ao longo dos versos, o enredo associa o cultivo e a partilha à ideia de justiça social e mobilização coletiva.

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Rosas de Ouro
Campeã do Carnaval 2025, a escola Rosas de Ouro fala sobre a origem do universo e a relação histórica entre humanidade e astros no samba-enredo Escrito nas Estrelas. O samba coloca a astrologia como forma de interpretação da realidade e de orientação coletiva ao longo do tempo. No geral, o enredo conecta a criação cósmica à trajetória da escola, apresentando as constelações como metáfora de identidade e continuidade.

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Vai-Vai
A Vai-Vai tem como enredo A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia, que faz uma homenagem aos estúdios de cinema Vera Cruz, à cidade e às pessoas de São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

O samba utiliza a linguagem do cinema para narrar a chegada de imigrantes, o desenvolvimento industrial e a organização dos trabalhadores na região. Ao longo dos versos, o enredo relaciona memória, produção cultural e mobilização coletiva à identidade da escola e da cidade homenageada.

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Barroca Zona Sul
A última escola a desfilar na sexta-feira (13), a Barroca Zona Sul homenageia Oxum, orixá das águas doces, com o enredo Oro Mi Maió OXUM. Mas o samba também menciona outros orixás, como Exu, Oxóssi, Iemanjá, Oxalá e Logun Edé.

No geral, a composição apresenta Oxum como senhora das águas doces, associada aos rios, às cachoeiras e ao ouro, e destaca passagens ligadas à sua trajetória mítica. Ao longo dos versos, o enredo reafirma fundamentos do candomblé e insere a escola como parte dessa tradição religiosa.

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Império de Casa Verde
A escola Império de Casa Verde aposta no enredo Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras para ganhar o quarto título do Grupo Especial em 2026. A composição fala sobre a história das mulheres negras escravizadas que utilizavam balangandãs, como talismãs para proteção contra o mau-olhado e para atrair sorte, como parte de sua identidade e estratégia de sobrevivência. 

A composição faz referência a territórios africanos como Benin, Congo e Angola, além de citar personagens como Tia Ciata, figura central no fortalecimento do samba na cidade do Rio de Janeiro. Ao longo dos versos, o enredo associa as joias e a religiosidade à resistência, à construção de liberdade e à afirmação da memória negra no Brasil.

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Águia de Ouro
O samba-enredo Mokum Amsterdã – O vôo da Águia à cidade libertária faz referência a Amsterdã e a elementos associados à cidade, como moinhos de vento, canais e bicicletas. A composição também cita manifestações culturais, festivais e a ideia de celebração coletiva entre Brasil e Holanda. Ao longo dos versos, o enredo relaciona liberdade e intercâmbio cultural.

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Mocidade Alegre
Em sua composição, a Mocidade Alegre exalta a atriz Léa Garcia, com o enredo Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra. A escola trará referências do protagonismo negro, a partir de personagens marcantes da carreira da atriz no teatro, no cinema e na televisão, como Orfeu e Quilombo.

O samba também associa a atriz a elementos das religiões de matriz africana e à ancestralidade, mencionando termos como laroyê, mojubá e yabás. No geral, ao longo dos versos, o enredo relaciona arte, identidade e luta por espaço à história da homenageada e à identidade da escola.

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Gaviões da Fiel
A Gaviões da Fiel celebra a luta e o legado dos povos indígenas com o enredo Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã. Neste ano, a escola foca na luta pela preservação das florestas, exaltando os povos originários e sua resistência. A letra aborda a cosmologia e a resistência dos povos indígenas, com referências a elementos como Xapiri, Omama e Pindorama e cita diferentes etnias, como Tapajó, Cariri, Caeté, Potiguar, Tupi e Canindé. 

A composição menciona ameaças à floresta e associa a preservação ambiental à continuidade cultural e territorial. Ao longo dos versos, o enredo conecta passado e futuro ao defender a demarcação de direitos e a proteção das terras originárias.

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Estrela do Terceiro Milênio
Em seu terceiro desfile no Grupo Especial, a Estrela do Terceiro Milênio trará para a avenida uma homenagem ao sambista e compositor Paulo César Pinheiro, com o enredo Hoje a poesia vem ao nosso encontro: Paulo César Pinheiro, uma viagem pela vida e obra do poeta das canções

A composição percorre a trajetória de Paulo César Pinheiro a partir de referências à formação musical, à parceria com sambistas e à atuação durante o período da censura. O samba menciona elementos como morro, roda de samba, capoeira e berimbau, como elementos da obra do compositor e das raízes culturais do país. 

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Tom Maior
A Tom Maior, campeã do Grupo de Acesso I em 2025, trará para o Sambódromo do Anhembi uma carta do médium Chico Xavier, com o enredo Chico Xavier. Nas entrelinhas da alma, as raízes do céu em Uberaba. A escola aborda tanto a trajetória do médium quanto a história da cidade de Uberaba, em Minas Gerais.

O samba adota o formato de carta e faz referência à mediunidade, à fé e à ideia de continuidade da vida, elementos associados à atuação do médium. A composição também menciona as sete colinas da cidade, os povos indígenas da região e os aspectos do cotidiano local. 

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Camisa Verde e Branco
A última a se apresentar no Carnaval de São Paulo neste ano, a escola Camisa Verde e Branco apresentará o enredo Abre Caminhos, que celebra as diferentes manifestações de Exu, orixá que é guardião das encruzilhadas, dos caminhos e da comunicação. 

Ao homenagear Exu, a letra apresenta suas diversas expressões nas religiões de matriz africana. O samba traz referências a figuras e denominações como Eleguá, Pomba-Gira, Tranca Rua e Marabô, bem como a práticas e símbolos rituais, entre eles o padê, o marafo e o assentamento.

A narrativa situa Exu em cenários cotidianos, como ruas, mercados e festas populares, destacando seu papel como guardião das encruzilhadas e mediador da comunicação. O enredo também aborda o combate à intolerância religiosa e reforça a identidade da escola enraizada na Barra Funda.

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Editado por: Maria Teresa Cruz

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