Fósforo branco

Israel é acusado de usar arma proibida que ‘queima até os ossos’ no Líbano, que tem média de 10 crianças mortas por dia

Ataques já mataram quase 400 e forçaram meio milhão a deixarem suas casas no país

Ataque israelense no sul do Líbano
Ataque israelense no sul do Líbano | Crédito: Ibrahim Amro/AFP

A organização Human Rights Watch (HRW) acusou Israel de utilizar “ilegalmente” fósforo branco na semana passada em ataques contra áreas residenciais no sul do Líbano. Ao entrar em contato com o oxigênio, o fósforo branco pode queimar pessoas até os ossos.

“O Exército israelense utilizou ilegalmente munições de fósforo branco disparadas por artilharia sobre residências em 3 de março de 2026 na localidade de Yohmor, no sul do Líbano“, afirma um relatório divulgado pela organização de defesa dos direitos humanos.

O documento acrescenta que foram “verificadas e geolocalizadas sete imagens que mostram munições de fósforo branco explosivo sendo utilizadas sobre uma área residencial da localidade, e trabalhadores da defesa civil respondendo a incêndios em pelo menos duas casas e um veículo na área”.

O fósforo branco é uma substância utilizada para criar cortinas de fumaça ou iluminar campos de batalha. Mas a munição também pode ser utilizada como arma incendiária e pode provocar incêndios, queimaduras graves, danos respiratórios, falência de órgãos ou morte.

Desde a semana passada, Israel lançou várias ondas de ataques contra o Líbano e enviou forças terrestres às áreas de fronteira para responder a um ataque do movimento islamista pró-iraniano Hezbollah.

Pelo menos 394 pessoas morreram nos ataques israelenses, segundo as autoridades libanesas, e mais de meio milhão de pessoas foram deslocadas.

“O uso ilegal de fósforo branco por parte do Exército israelense contra áreas residenciais é extremamente alarmante e terá graves consequências para os civis”, afirmou Ramzi Kaiss, pesquisador da HRW sobre o Líbano.

“Israel deve interromper imediatamente a prática. Os países que fornecem armas a Israel, incluindo munições de fósforo branco, devem suspender imediatamente a assistência militar e a venda de armas e pressionar Israel para que deixe de utilizar tais armas em áreas residenciais”, acrescentou.

Mais crianças mortas por Israel

A agência da ONU para a infância, Unicef, afirma que pelo menos 83 crianças foram mortas e 254 ficaram feridas no Líbano desde 2 de março, com a intensificação da guerra entre Israel e o Hezbollah.

“Em média, mais de 10 crianças foram mortas todos os dias no Líbano na última semana, com aproximadamente 36 crianças feridas diariamente”, diz o comunicado publicado no site da Unicef nesta segunda-feira. “Nos últimos 28 meses, 329 crianças foram mortas no Líbano e 1.632 ficaram feridas”, acrescenta.

“Esses números são estarrecedores. Eles são um testemunho contundente do impacto que o conflito está causando nas crianças”, disse a agência. “O deslocamento em massa em todo o Líbano forçou quase 700 mil pessoas — incluindo cerca de 200 mil crianças — a deixarem suas casas, somando-se às dezenas de milhares já desabrigadas por escaladas anteriores.”

“Esses números são estarrecedores. Eles são um testemunho contundente do impacto que o conflito está causando nas crianças”, disse a agência. A agência apelou a todas as partes para que protejam os civis e as infraestruturas civis, incluindo escolas e abrigos, e para que cumpram as suas obrigações ao abrigo do direito internacional humanitário.

“O Unicef insta a esforços imediatos para reduzir a escalada da situação e evitar maiores danos às crianças”, concluiu o comunicado.

Editado por: Luís Indriunas

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