Agricultura familiar

Política pública de transição agroecológica no campo vai atender 350 famílias no Sul Fluminense

Projeto da Anater em parceira com o MDA promove desenvolvimento rural sustentável

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Agricultura familiar produz alimentos que vão à mesa da população
Agricultura familiar produz alimentos que vão à mesa da população | Crédito: Albino Oliveira/MDA

A última segunda-feira (9) foi marcada pelo lançamento do programa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) Bem Viver na região Sul Fluminense. Pela primeira vez no Rio de Janeiro, a política pública de base agroecológica vai abranger 350 famílias em 15 municípios da região. O objetivo é auxiliar a produção e a comercialização de alimentos saudáveis e, ao mesmo tempo, contribuir para a conservação da Mata Atlântica

A iniciativa com foco no desenvolvimento rural sustentável é da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e da Superintendência Federal do Desenvolvimento Agrário do Rio de Janeiro (SFDA-RJ), ligada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) do governo Lula (PT).

O evento desta segunda (9) marcou o início dos trabalhos nos territórios, com a mobilização das instituições parceiras e dos atendidos. A reunião no campus Aterrado da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Volta Redonda, contou com a presença de autoridades estaduais, vereadores, lideranças da agricultura familiar, e representantes de instituições como a UFF e o IFF Pinheiral. 

“Reunir com as instituições acadêmicas, juntamente com extensionistas, produtores da agricultura familiar e representantes da sociedade, é um ato de compromisso com o sucesso do programa de Ater Bem Viver na região sul do Estado. Atender bem os agricultores e agricultoras familiares participantes do programa é a missão, e assim foi pactuado”, afirmou  o diretor da Anater Sérgio Rosa ao Brasil de Fato.

Lançamento do Ater Bem Viver Sul Fluminense na UFF em Volta Redonda
Lançamento do Ater Bem Viver Sul Fluminense na UFF em Volta Redonda | Crédito: Maycon Santos/SFDA-RJ

Uma série de mobilizações estão previstas nos 15 municípios para efetivar os atendimentos de assistência técnica e extensão rural. Ao Brasil de Fato, o superintendente federal do MDA no Rio de Janeiro, Victor Tinoco, enfatizou a importância da assistência técnica. “A assistência técnica é uma prioridade fundamental, e sem a Anater não é possível fazer nenhuma ação de desenvolvimento efetivo”. Segundo Tinoco, a principal característica da política é fomentar a transição agroecológica no campo. 

“Essa é uma Ater estratégica para a gente porque trabalha a questão da comercialização, da transição agroecológica, especificamente no Sul Fluminense que tem destaque na produção do café e do leite. Hoje se destacam também as cooperativas de agricultura familiar, as produções das populações quilombolas em Rio Claro, Santana, Quatis, entre outros. A gente tem essa ênfase, obviamente também atendendo Paraty, Angra dos Reis, que tem um cunho litorâneo”, afirmou. 

Para Tinoco, a implementação da primeira chamada de Ater no Rio de Janeiro representa um marco para a expansão do modelo agroecológico. “Isso fortalece o nosso movimento agroecológico, fortalece também a diminuição do uso de agrotóxicos e o entendimento de que o bem-viver é muito transversal e a agricultura familiar expressa essa transversalidade”.

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O dirigente chama de “cesta de políticas públicas” um conjunto de investimentos que convergem para esse mesmo objetivo: a agroecologia como parte estruturante das ações do MDA. Uma delas é o edital do MDA “Da Terra à Mesa Brasil”, que vai produzir 209 Sistemas Agroflorestais (SAFs) só no estado do Rio de Janeiro, segundo Tinoco. Outra iniciativa da superintendência regional será o mutirão de documentação da mulher trabalhadora rural em Barra Mansa ainda no mês de março.

Biodiversidade

A entidade selecionada na chamada pública da Anater para executar as atividades no Sul Fluminense é a Plural Cooperativa, que já atua com empreendimentos coletivos de agricultores familiares em contrato de Ater no Espírito Santo. Durante o período de 18 meses de execução do projeto, a Anater e o MDA vão monitorar o cumprimento do plano de trabalho e as diretrizes.

O diretor da Anater detalha como será o trabalho dos extensionistas em campo. “O projeto tem como princípio trazer a produção agrícola para a Mata Atlântica, baseada na agroecologia, sem desmatamento. Para melhor prestar o atendimento, a Anater disponibilizará o uso do Sistema de Gestão de Ater através de aparelhos celulares conectados ou não à internet (SGA Móvel), assim o extensionista terá mais tempo para atendimento”, disse. 

No Sul Fluminense, estão previstas atividades coletivas e individuais, de acordo com as realidades de cada assentamento, grupo familiar, comunidade ou família. Segundo a Anater, as famílias são incentivadas a buscar experiências já existentes na área do lote ou externas. Além disso, os grupos trocam experiências, insumos e sementes. 

“O primeiro momento é a mobilização e o entendimento do funcionamento e das demandas de cada um dos agricultores a serem atendidos, que vão ser 350 famílias. As demandas podem ser na comercialização, no processo de reflorestamento. Essa é uma questão fundamental, porque quando se fala de bem-viver, a gente também está falando dessa concepção do bem-viver com a natureza. Isso faz parte da transição agroecológica”, ressalta Tinoco, superintendente regional do MDA.

“Quando falo do Sul Fluminense, a gente tem essa imagem do Paraíba do Sul, que é o nosso principal rio do estado, mas que encontra outros grandes rios, o Muriaé, e outros na sua bacia, lá no norte. Então, isso também é destaque para a questão hídrica e climática. Se coloca a necessidade da nova governança climática e a agricultura familiar está presente. Trazer essa ideia do Paraíba também é para essa recomposição florestal, de reconstrução dos mananciais e dos recursos hídricos”, conclui.

Eixos principais

No edital estão incluídos Sistemas Agroflorestais (SAFs) biodiversos, o que significa integrar espécies nativas, frutíferas e cultivos agrícolas, com o objetivo de diversificar a produção e levar à recuperação ambiental. Além disso, há a preocupação com a produção e conservação de sementes crioulas, produção agroecológica de animais e fabricação e uso de biofertilizantes e defensivos naturais.

Entre os itens transversais estão técnicas de uso do solo para garantir fertilidade e proteção dos cursos d’água; aquisição de máquinas e equipamentos adaptadas às necessidades da agricultura familiar e quintais produtivos. Esses quintais tem como característica o forte protagonismo das mulheres, diversificação da produção tanto para consumo próprio quanto geração de renda.

Igualdade de gênero 

Todos os programas da Anater determinam participação de pelo menos 50% de mulheres. No Ater Mulheres Rurais, o programa é voltado exclusivamente para assistência de agricultoras, e no Ater Bolsa Verde elas correspondem a mais de 80% dos lotes contemplados.

O edital de Ater Bem Viver Sul Fluminense prevê que a entidade parceira ofereça monitoria para as mães poderem levar seus filhos e filhas e participar das atividades do programa.

A deputada estadual Marina do MST (PT), que estava presente no lançamento do programa, ressalta a recuperação ambiental e o protagonismo das mulheres na agroecologia. “Este projeto é uma conquista para o Rio de Janeiro e será fundamental para a recuperação de áreas degradadas da agricultura familiar”, disse à reportagem.

“Nosso objetivo é fortalecer e potencializar a produção de alimentos saudáveis e as ações de agroecologia que já pulsam nesta região. Só aqui [Sul Fluminense], temos o registro de 69 experiências agroecológicas, e essa iniciativa vem para resgatar e dar escala a esse trabalho tão importante, especialmente o que é protagonizado pelas mulheres do campo”, conclui.

Editado por: Vivian Virissimo

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