Solidariedade

Ex-presidente do México López Obrador sai em defesa de Cuba contra bloqueio econômico dos EUA e convoca população

O ex-presidente convocou apoiadores a fazer doações voluntárias a Cuba

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Andrés Manuel López Obrador
Andrés Manuel López Obrador | Crédito: Alfredo Estrella/AFP

O ex-presidente do México Andrés Manuel López Obrador afirmou que o bloqueio econômico dos Estados Unidos imposto a Cuba é mais uma tentativa de asfixia contra o país. 

“Estou aposentado, mas me dói saber que eles buscam exterminar o povo irmão de Cuba por seus ideais de liberdade e defesa da soberania”, disse o ex-presidente em seu perfil no X (antigo Twitter), neste domingo (15). 

Na mensagem, López Obrador citou a posição do ex-presidente mexicano Lázaro Cárdenas durante a crise de Invasão da Baía dos Porcos, em 1961, para defender solidariedade entre países da região. 

“Àqueles que pensam que este é um problema alheio, lembro-lhes o que o General Cárdenas disse durante a invasão da Baía dos Porcos: ‘Não é correto defender a indiferença à sua luta heroica, porque o destino deles é o nosso’”, acrescentou.

O ex-presidente convocou apoiadores a fazer doações voluntárias à organização Humanidad con América Latina, que utiliza doações para a compra de alimentos, medicamentos e combustíveis destinados à população cubana. “Que todos contribuam com o que puderem!”, concluiu López Obrador.

Crise em cuba e pressões dos EUA

A declaração ocorre em meio ao aumento das pressões dos Estados Unidos sobre Cuba. Em janeiro, o presidente Donald Trump afirmou que a ilha representa uma ameaça à segurança estadunidense e anunciou novas restrições ao país caribenho, que já enfrenta sanções econômicas há cerca de seis décadas.

A situação se intensificou após Washington interromper o fluxo de petróleo proveniente da Venezuela, principal fornecedor de combustível do país, e ameaçar aplicar sanções a outros governos que vendam petróleo a Cuba. O cenário contribui para agravar a crise energética cubana, que tem praticamente paralisado a economia da ilha. 

“Já se passaram mais de três meses desde que qualquer carregamento de combustível entrou em nosso país, e estamos trabalhando em condições muito adversas que estão tendo um impacto imensurável na vida de todo o nosso povo”, alertou o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, na última sexta-feira (13).

A medida foi denunciada por diversos líderes e organizações internacionais, incluindo a Organização das Nações Unidas (ONU). A política representa uma tentativa de estrangulamento econômico, com potencial de provocar escassez generalizada na ilha e interferir no direito soberano de Cuba de manter seu funcionamento cotidiano e seus serviços básicos.

Mecanismo de doações

Díaz-Canel anunciou, na semana passada, a criação de um mecanismo para receber investimentos e doações estrangeiras, cujos detalhes ainda serão divulgados. 

Segundo Díaz-Canel, o sistema funcionará de duas formas. Quando o doador indica o destino da contribuição, o governo prioriza instituições como policlínicas, maternidades, lares de idosos e centros para crianças sem apoio familiar. Quando não há destinatário definido, o Estado distribui os recursos de acordo com prioridades nacionais, voltadas a setores vulneráveis e serviços sociais.

O presidente afirmou que as doações não geram lucro para o país. Alimentos recebidos são distribuídos gratuitamente e podem ser incluídos na cesta mensal registrada no cartão de racionamento das famílias. O benefício, segundo ele, é social e voltado ao apoio da população.

Editado por: Luís Indriunas

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