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GHC amplia compras da agricultura familiar e reforça alimentação como política de saúde no SUS

Mais de 30% dos alimentos adquiridos pelo grupo já vêm de cooperativas; iniciativa articula feiras e hortas

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A medida integra uma estratégia que conecta o abastecimento das cozinhas hospitalares à promoção da saúde e ao fortalecimento da produção local
A medida integra uma estratégia que conecta o abastecimento das cozinhas hospitalares à promoção da saúde e ao fortalecimento da produção local | Crédito: Chico Lisboa GHC/InPacto

A alimentação vem ganhando centralidade nas políticas de saúde do Grupo Hospitalar Conceição (GHC). Com a ampliação das compras da agricultura familiar e o fortalecimento de feiras agroecológicas nas unidades, a instituição ultrapassou, em 2025, o percentual mínimo previsto em lei e passou a destinar 31,7% dos recursos para aquisição de alimentos a cooperativas, equivalente a R$ 7,3 milhões no último ano.

A medida integra uma estratégia que conecta o abastecimento das cozinhas hospitalares à promoção da saúde e ao fortalecimento da produção local. Ao todo, 22 cooperativas fornecem cerca de 140 itens ao GHC, incluindo hortaliças, frutas, carnes, laticínios e panificados.

A mudança ocorre a partir da execução do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do governo federal, que permite a compra direta da agricultura familiar por meio de chamadas públicas. O modelo considera critérios como proximidade territorial e número de agricultores envolvidos, o que exigiu adaptações nos processos internos do grupo, especialmente nas áreas jurídica e logística.

“A alimentação é um dos principais ‘remédios’. Não faz sentido economizar no prato das pessoas”, afirma o chefe de gabinete da presidência do GHC, Alex Borba dos Santos. Segundo ele, a política vem sendo estruturada desde 2023 e já apresenta resultados tanto na qualidade das refeições quanto no fortalecimento das cooperativas.

Mudança nos cardápios

A ampliação das compras impactou diretamente a alimentação servida nas unidades. Produtos ultraprocessados, como embutidos, bebidas açucaradas, molhos prontos e sucos industrializados, vêm sendo retirados dos cardápios, dando lugar a preparações feitas pelas equipes de cozinha, com alimentos in natura ou minimamente processados.

A reformulação também inclui a criação de cardápios específicos, como opções vegetarianas, e ações voltadas a públicos determinados. Durante o Outubro Rosa, por exemplo, foi desenvolvido um pão de beterraba para pacientes oncológicos, combinando valor nutricional e acolhimento.

Para a coordenadora do Serviço de Nutrição do Hospital Cristo Redentor, Luciana Souza, a alimentação tem papel direto no tratamento. “O alimento contribui para a prevenção de doenças, auxilia na recuperação e fortalece o sistema imunológico”, afirma.

Produtos ultraprocessados vêm sendo retirados dos cardápios, dando lugar a preparações feitas pelas equipes de cozinha | Crédito: Chico Lisboa GHC/InPacto


Feiras e hortas aproximam produção e consumo

Além das compras institucionais, o GHC investe na realização de feiras agroecológicas dentro das unidades hospitalares e no incentivo a hortas comunitárias em Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

No Hospital Federal de Bonsucesso, no Rio de Janeiro, a feira ocorre mensalmente e reúne agricultores familiares e consumidores em um espaço de troca direta. A produtora agroecológica Juliana de Medeiros Diniz, de Magé (RJ), percorre cerca de 50 km para participar da atividade. “Estamos lidando com pessoas que já têm problemas de saúde. A alimentação pode agravar ou ajudar na recuperação”, afirma. Ela comercializa produtos sem agrotóxicos, como banana-passa, tapioca e chocolates artesanais.

No Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre, a feira passou a ser semanal, ampliando o acesso de trabalhadores e usuários a alimentos frescos. Segundo a nutricionista Luciana Souza, a iniciativa contribui para mudanças nos hábitos alimentares também fora do ambiente hospitalar. “Facilita o acesso a alimentos mais saudáveis e incentiva o consumo no dia a dia das famílias”, diz.

Atualmente, sete das 12 unidades de saúde do grupo mantêm hortas comunitárias, com participação de moradores e integração às ações de promoção da saúde.

A política também inclui parcerias com iniciativas comunitárias. Uma delas é a Associação Cozinha das Pretas, que utiliza alimentos doados pelo GHC para preparar cerca de 600 refeições por semana destinadas a populações em situação de insegurança alimentar na zona norte de Porto Alegre.

Segundo o GHC, a meta é ampliar a participação da agricultura familiar nas compras para 40% e avançar no uso de produtos orgânicos, especialmente no atendimento a pacientes oncológicos.

Editado por: Marcelo Ferreira

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