Guerra energética

Hungria anuncia suspensão do fornecimento de gás para a Ucrânia

Primeiro-ministro Viktor Orban declarou que só retomará fornecimento se Kiev romper bloqueio do petróleo russo

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O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, discursa para o público durante o primeiro Comício Patriótico no Centro Cultural Millenaris, em Budapeste, Hungria, em 23 de março de 2026
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán | Crédito: Attila Kisbenede/AFP

Nesta quarta-feira (25), o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, anunciou que o país suspenderá em breve o fornecimento de gás para a Ucrânia e só o retomará quando o fornecimento de petróleo russo por meio do gasoduto Druzhba for restabelecido.

Segundo Orban, novas medidas são necessárias para romper o “bloqueio de petróleo” imposto por Kiev. “Vamos interromper gradualmente o fornecimento de gás da Hungria para a Ucrânia e armazenaremos o gás restante dentro do país”, declarou.

Ele explica que essas reservas serão úteis para a Hungria, já que a Ucrânia também está atacando o gasoduto TurkStream. “Enquanto a Ucrânia não fornecer petróleo, não receberá gás da Hungria”, enfatizou Orbán.

Em 19 de março, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que Kiev intensificou os ataques com drones contra a infraestrutura dos gasodutos Turkish Stream e Blue Stream, que são fundamentais para a estratégia russa de exportação energética.

A Ucrânia interrompeu o trânsito de gás russo por seu território em 1º de janeiro de 2025, com o fim do acordo de transporte de gás com Moscou. Desde então, o TurkStream passou a ser a principal via de fornecimento de gás russo por gasodutos aos mercados da União Europeia.

Em 5 de março, o primeiro-ministro húngaro afirmou que Budapeste “romperia” o bloqueio de petróleo ucraniano pela força e usaria instrumentos financeiros e políticos para restabelecer o fornecimento. Já no dia 6, ele anunciou que suspenderia o trânsito de gasolina e outros suprimentos vitais para Kiev por meio de seu território até que a Ucrânia retomasse o bombeamento de petróleo pelo oleoduto Druzhba.

Ao mesmo tempo, Budapeste respondeu bloqueando a 20ª rodada de sanções contra Moscou e um empréstimo de 90 bilhões de euros da União Europeia para a Ucrânia.

O trânsito de petróleo russo para a Hungria e a Eslováquia pelo gasoduto Druzhba foi interrompido em 27 de janeiro, e as autoridades de ambos os países acusam que a interrupção ocorreu por motivos políticos. A Ucrânia relatou um ataque de drone russo à infraestrutura do gasoduto.

Editado por: Rafaella Coury

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