Instabilidade global

Rússia proíbe exportações de gasolina para estabilizar preços em meio à crise no Oriente Médio

Medida do governo é justificada pela turbulência nos mercados globais de petróleo e derivados diante do conflito no Irã

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Imagem da moeda de rublo com a cidade de Moscou, capital da Rússia, ao fundo.
Imagem da moeda de rublo com a cidade de Moscou, capital da Rússia, ao fundo | Crédito: Alexander Nemenov/AFP

O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, instruiu o Ministério da Energia a preparar um projeto de resolução proibindo as exportações de gasolina a partir desta quarta-feira (1º). De acordo com o governo, o objetivo da medida é estabilizar os preços dos combustíveis no país e garantir o abastecimento prioritário ao mercado interno.

Segundo Novak, a turbulência nos mercados globais de petróleo e derivados, devido à crise no Oriente Médio, está causando flutuações significativas nos preços. Ao mesmo tempo, a demanda externa por derivados de petróleo russos permanece alta.

O comunicado foi feito após uma reunião entre representantes do Ministério da Energia, do Serviço Federal Antimonopólio, da Bolsa de Valores de São Petersburgo e de empresas do setor energético.

Segundo o Ministério da Energia, os volumes de refino de petróleo na Rússia permanecem no nível de março de 2025, garantindo o fornecimento estável de derivados de petróleo.

Durante a reunião, representantes de empresas petrolíferas confirmaram a disponibilidade de reservas suficientes de gasolina e diesel, bem como a alta utilização da capacidade de refino, para atender à demanda interna.

Foi dada atenção especial ao objetivo estabelecido pelo presidente russo, Vladimir Putin, de impedir que os preços dos combustíveis no mercado interno subam acima das previsões.

O governo russo já havia suspendido a proibição de exportação de gasolina para os produtores de combustíveis, com vigência a partir de 31 de janeiro de 2026. Para os comerciantes, a proibição de exportação de derivados de petróleo foi prorrogada até 31 de julho de 2026. As autoridades impõem periodicamente um embargo total às exportações de combustíveis para abastecer o mercado interno.

O contexto do conflito no Oriente Médio e o consequente aumento dos preços internacionais faz com que refinarias exportem mais para lucrar em moeda forte. Isso pode reduzir a oferta dentro da Rússia e encarecer o combustível para a população. Ao suspender as exportações, o Kremlin segura esse produto no mercado interno e aumenta a oferta local como forma de conter os preços, mesmo diante da volatilidade global.

No mercado internacional, a decisão tende a apertar ainda mais a oferta de combustíveis refinados, já que a Rússia segue entre os principais fornecedores globais. Para a Europa, o impacto aparece de forma indireta, mas significativa.

Mesmo após reduzir a dependência direta do produto russo por conta das sanções, o bloco continua exposto às dinâmicas do mercado global. Com menos volumes disponíveis, aumenta a concorrência por cargas de outros grandes produtores, como Estados Unidos e países do Oriente Médio. Esse movimento eleva custos de importação e adiciona pressão sobre a inflação de energia no continente.

Editado por: Thaís Ferraz

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