SINCRETISMO

Dia de São Jorge: ato inter-religioso reúne fiéis em Porto Alegre nesta quinta-feira (23)

Ao longo da festividade, serão realizadas atividades abertas ao público em frente à igreja São Jorge, no bairro Partenon

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Ato é conduzido por Pai Ricardo de Oxum e padre Sérgio Belmonte
Ato é conduzido por Pai Ricardo de Oxum e padre Sérgio Belmonte | Crédito: Divulgação/ Igreja São Jorge

Celebrado nesta quinta-feira (23), o Dia de São Jorge mobiliza milhares de fiéis em todo o Brasil e se consolida como uma das datas mais emblemáticas da religiosidade popular. Em Porto Alegre, a celebração ganha um significado ainda mais expressivo neste ano ao reunir diferentes tradições de fé em um ato inter-religioso aberto ao público, realizado na Igreja São Jorge, no bairro Partenon.

O tradicional ato costuma reunir mais de 150 mil fieis e é conduzido pelo sacerdote Pai Ricardo de Oxum e pela Família Yecari, em parceria com o pároco padre Sérgio Belmonte. Juntos, eles vêm consolidando um movimento pautado pelo respeito mútuo, pela convivência entre crenças e pela valorização da diversidade religiosa.

Em 2026, a celebração assume um caráter especial: será a última participação da Família Yecari na organização do evento. Com mais de 50 mil integrantes distribuídos pelo Brasil e pela América Latina, o grupo encerra sua atuação neste ciclo deixando um legado marcado pela promoção da fé, da cultura e do diálogo inter-religioso.

A programação também busca ampliar o entendimento sobre o sincretismo religioso e sua formação histórica no Brasil | Crédito: Divulgação

Segundo Pai Ricardo, a devoção a São Jorge ultrapassa os limites do catolicismo e dialoga diretamente com as religiões de matriz africana, nas quais o santo é associado a Ogum, orixá guerreiro e símbolo de coragem, abertura de caminhos e superação.

“São Jorge representa a luta diária. É a fé que impulsiona, que protege e que ajuda a vencer batalhas invisíveis”, afirma o sacerdote.

Programação

Ao longo da festividade, serão realizadas atividades abertas ao público em frente à igreja, com o objetivo de acolher e orientar os participantes sobre o significado das práticas religiosas. Das 8h às 18h, estão previstos banhos de cheiro, atendimentos espirituais e rodas de conversa explicativas sobre os rituais e sua importância nas religiões de matriz africana.

Crédito: Divulgação

A programação também busca ampliar o entendimento sobre o sincretismo religioso e sua formação histórica no Brasil. De acordo com Pai Ricardo, a associação entre São Jorge e Ogum remonta ao período da escravidão, quando populações negras encontraram nas imagens católicas uma forma de preservar suas crenças.

“Durante muito tempo, nossos ancestrais, negros escravizados, não puderam viver sua fé de forma livre. Eles encontraram nas imagens das igrejas católicas uma forma de manter sua espiritualidade viva. É daí que nasce essa conexão entre São Jorge e Ogum, como símbolo de resistência”, explica.

À noite, o sacerdote acompanhará a programação religiosa da paróquia, que inclui missa campal e procissão. No retorno, será realizada a tradicional lavagem simbólica da escadaria da igreja, gesto que representa purificação, fé e conexão espiritual.

O ato inter-religioso se consolida como um espaço de convivência, informação e combate à intolerância religiosa. A proposta é não apenas reunir fiéis, mas também promover o conhecimento sobre diferentes tradições.

“Nosso papel é acolher, orientar e mostrar que a fé é um caminho de união. Muitas pessoas participam, mas nem sempre conhecem o significado. A informação também faz parte da espiritualidade”, conclui Pai Ricardo.

Editado por: Marcelo Ferreira

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