O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promove, neste sábado (25), a Feijoada de Ogum no Espaço Cultural Elza Soares, situado nos Campos Elíseos, em São Paulo (SP). A programação tem início às 10h com o Xirê, ritual de cantos e danças das religiões de matriz africana, seguido por um debate com lideranças de terreiros e representantes do movimento social. A entrada é gratuita.
A distribuição da feijoada ocorre a partir das 12h, com uma cota estabelecida de 500 porções gratuitas, enquanto outros itens gastronômicos e bebidas serão comercializados no local durante o período da tarde. Além disso, a partir das 14h, o Bloco Afro Ilú Onã realiza um espetáculo e, às 15h, tem início a celebração coletiva com a Roda de Santo.

O preparo utiliza feijão preto cultivado em setembro de 2025 no Centro Agroecológico Paulo Kageyama, em Jarinu (SP), por meio de uma cooperação entre o Coletivo Terra, Raça e Classe e a frente Povos de Terreiro do MST.
Segundo Kallen Oliveira, da coordenação do Plano Nacional Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis, o cultivo do grão reafirma a agroecologia como uma conexão com saberes ancestrais e uma prática de produção que utiliza a terra como fonte de vida em vez de objeto de especulação.
“O plantio do feijão preto para Ogum é um gesto profundo de resistência, carrega um significado cultural e espiritual essencial, mas também reafirma a Agroecologia como nossa conexão com os saberes ancestrais e com a prática de produzir alimentos saudáveis a partir de outra relação com a terra. Tendo ela como fonte de vida, aliada e não mera fonte de especulação e lucro. Esse plantio foi mais que produzir um grão, foi exercitar a emancipação humana em suas mais diferentes dimensões.”
A comemoração remete à figura de Ogum, divindade Yorubá associada à metalurgia e à criação de ferramentas agrícolas, frequentemente sincretizada com São Jorge no mês de abril. A tradição da feijoada específica para este orixá remonta ao início do século 20, no Ilê Ogogunjá, na Bahia, sob liderança do babalorixá Procópio de Ogum.
De acordo com os preceitos da religião, o prato deve ser partilhado com a comunidade sem distinção. Sebastião Aranha, integrante dos Povos de Terreiro do MST e assentado em Itapeva (SP), explica que a organização do evento demonstra a existência da diversidade religiosa dentro do movimento e o cuidado com a espiritualidade e o território.
“A feijoada que nós estamos organizando, a feijoada de Ogum, é uma tradição muito importante para a gente que é da religião afro-brasileira, do candomblé, da umbanda, das religiões de matriz africana. E é importante para mostrar que, dentro do MST, também tem diversidade religiosa, que nós estamos aqui cuidando do nosso território, da nossa espiritualidade.”
Para participar do evento, é preciso retirar ingressos pela plataforma Sympla no seguinte link: https://www.sympla.com.br/evento/feijoada-de-ogum/3396138
SERVIÇO
Feijoada de Ogum no Espaço Cultural Elza Soares do MST
25 de abril, a partir das 10h — entrada gratuita
Alameda Eduardo Prado, 474, Campos Elíseos, São Paulo/SP
