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Jorge Messias: traição de Davi Alcolumbre, erro no cálculo ou insistência do presidente Lula?

PT se divide entre contra-atacar o Congresso ou conciliar; a segunda opção parece esgotada

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Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, durante discurso contra STF
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, durante discurso contra STF | Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

Nas últimas horas, Brasília (DF) tem feito contas e prognósticos de toda sorte. O advogado-geral da União, Jorge Messias, foi rejeitado pelo Senado e não será ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Nenhuma análise ou ciência mudará o fato de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), responsável pela indicação, sofreu sua maior derrota desde que foi empossado, em 1º de janeiro de 2023.

Não importa a tese; toda e qualquer análise parte de um personagem: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo os bastidores de Brasília, o parlamentar inclusive teria traído Lula.

Se traiu, por quê? Porque Alcolumbre quer seguir presidente do Senado e mudou de lado. Aliado do Palácio do Planalto até semana passada, pulou o muro e mostrou que o Centrão da política brasileira sempre fez morada na extrema direita, embora tentasse disfarçar com alianças frágeis e imediatistas para votações esporádicas.

Ao se aliar ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na corrida eleitoral pela presidência da República, o presidente da Casa sinalizou à opinião pública que sua moral é elástica, suas convicções são frouxas e que colocou seu futuro nas mãos do Congresso mais raso e medíocre da história deste país.

Cabe a Lula recalcular passos. O pragmatismo político do famigerado presidencialismo de coalizão está ruindo. O presidente é cobrado pela esquerda e traído pela direita. As alianças para palanques nas eleições estão custando valores incalculáveis à história do PT, que caminha a passos largos ao centro por um projeto eleitoral e não político. Esse movimento é alertado e criticado por lideranças do partido de diversos espectros.

Uma ala do PT defende que Lula reaja sem conciliar mais uma vez, que o governo contra-ataque e indique uma mulher ao STF. A ideia é constranger Alcolumbre, que teria que explicar à sociedade por que não colocaria o nome da indicada para ser votado no Senado.

Aos aliados, Alcolumbre já disse que o Senado não votará mais nenhuma indicação de Lula ao STF até o final da eleição. Mais um aceno a Flávio Bolsonaro. Se eleito, o filho do ex-presidente encarcerado Jair Bolsonaro poderá indicar até quatro ministros do STF nos próximos quatro anos. Se somados a Kassio Nunes Marques e André Mendonça, seriam seis integrantes da mais alta corte do país aliados da extrema direita, o que configura maioria e, portanto, os radicais teriam controle do STF.

Outro setor do PT prefere a conciliação com os algozes de Messias e Lula. No horizonte, o cálculo eleitoral. Toda eleição tem sido “a mais importante da história do país”. Mas essa parece ter compromisso com a afirmação. Com a extrema direita domesticando o Centrão e controlando o Legislativo, o PT precisa reunir seus fragmentos e sinalizar às ruas e à esquerda.

Em 2025, foi a esquerda nas ruas que derrubou a PEC da Blindagem, desejo da direita e do Centrão, para garantir proteção aos parlamentares contra processos e prisões. Essa memória pode ajudar o governo a encontrar uma resposta para longe da cadeira de Davi Alcolumbre.

Voltando à fatídica noite de quarta-feira (29): em Brasília, fala-se que Lula foi alertado por, ao menos, dois senadores sobre os riscos de perder a votação: um deles, Camilo Santana, ex-ministro da Educação e aliado próximo do petista. Teria o presidente ignorado os riscos e confiado na palavra empenhada de Alcolumbre?

Há quem critique a articulação do Palácio do Planalto com o Congresso. Lembremos: na véspera da votação de Messias, o governo irrigou o Congresso Nacional com R$ 12 bilhões em emendas e, assim, molhou o bico dos corvos do Senado. Me parece que a sede dos senadores é maior.

*Igor Carvalho é jornalista e supervisor de reportagem do Brasil de Fato

Editado por: Rafaella Coury

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