Cooperação

Cuba e Vietnã ampliam cooperação agrícola com novo projeto de cultivo de arroz em Granma

Projeto busca ampliar produção de arroz, ampliar a diversificação de atividades e reduzir importações de alimentos

Área de cultivo de arroz na província de Granma
Área de cultivo de arroz na província de Granma. | Crédito: Granma

Em um esforço para aumentar a produção de alimentos, teve início o segundo projeto de cooperação agrícola entre Cuba e Vietnã. Localizada na província oriental de Granma, a iniciativa é voltada ao cultivo de arroz com o objetivo de fortalecer o abastecimento local.

Trata-se de um projeto conjunto entre a empresa estatal de arroz de Granma e a companhia vietnamita Thai Binh — presente há anos no setor comercial da ilha —, que recentemente realizou sua primeira colheita no município de Yara.

A iniciativa conjunta, denominada TBAgri, ainda está em fase inicial e atualmente abrange cerca de 160 hectares nos terraços planos da comunidade José Martí. No entanto, o plano prevê uma expansão gradual até alcançar 25 mil hectares destinados ao cultivo de arroz.

O projeto opera sob um modelo de capital 100% estrangeiro e utiliza terras concedidas em usufruto pelo Estado cubano, com duração estimada de 25 anos. Em uma primeira etapa, a produção será destinada principalmente ao consumo interno, tendo como principal objetivo o autoabastecimento territorial.

Este é o segundo projeto desse tipo entre os dois países, após a experiência desenvolvida em Pinar del Río. Lá, por meio de um projeto piloto iniciado no fim de 2024, a empresa vietnamita Agri VMA começou a explorar terras estatais na localidade de Los Palacios, cedidas em usufruto sob um modelo que integra tecnologia e especialistas do país asiático com mão de obra local.

Segundo informações da empresa, até o início de janeiro já haviam sido colhidos mais de 1.100 hectares, com uma produção próxima de 5.900 toneladas de arroz úmido. Parte desse volume permitiu a comercialização de mais de 1.700 toneladas de arroz destinadas ao consumo, incluindo entregas fortemente subsidiadas pelo Estado cubano para famílias das províncias de Pinar del Río e Artemisa, por meio da cesta básica regulamentada.

Ambos os programas fazem parte da estratégia prioritária do governo cubano para reduzir as importações e recuperar a produção de alimentos na ilha, que sofreu uma forte queda nos últimos anos. No caso específico do arroz, a redução chegou a 90%, segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas e Informação de Cuba (ONEI).

Essa iniciativa experimental se insere em um desafiador e complexo processo de transformação do socialismo cubano, cujo objetivo central é a diversificação das formas de produção. Ambos os projetos representam uma mudança histórica na política agrária do país, pois constituem os primeiros casos, desde as nacionalizações posteriores ao triunfo da Revolução, em que o Estado cubano concede terras em usufruto a uma empresa estrangeira para a produção direta de alimentos.

Apesar das dificuldades enfrentadas por Cuba nos últimos meses — entre elas, o impacto do furacão Melissa no fim de outubro do ano passado, que atingiu fortemente Granma, assim como o estrangulamento energético imposto pela administração de Donald Trump desde janeiro —, o novo projeto conseguiu iniciar neste fim de semana sua primeira colheita mecanizada. Diante desse avanço, o governo cubano classificou o início das operações como um “marco significativo para o desenvolvimento agrícola da região”.

Editado por: Luís Indriunas

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