Greve à vista

Governo de SP quer ‘destruir metrô para entregar para a iniciativa privada’, afirma diretora do sindicato

Camila Lisboa denuncia sucateamento, diminuição do quadro e precarização das condições de trabalho

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Camisa usada pelos trabalhadores metroviários
Camisa usada pelos trabalhadores metroviários. | Crédito: Nando Chiapetta/Alepe

Os trabalhadores dos trens e metrôs de São Paulo reivindicam melhores condições de trabalho e decidem, na tarde desta terça-feira (12), em assembleia no Sindicato dos Metroviários, se a categoria vai iniciar uma greve a partir da madrugada de quarta-feira (13). Caso a paralisação aconteça, as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata deverão ser impactadas.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Camila Lisboa, diretora do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, aponta a contradição entre o serviço de excelência prestado pelos funcionários do metrô e trens da CPTM para a população e as condições precárias de trabalho a que são submetidos.

“Muito se fala, muito se divulga o serviço de excelência do metrô. O que não se fala é que, de 2014 para cá, a quantidade de funcionários do metrô diminuiu pela metade”, denuncia.

Lisboa conta que o último concurso público para o metrô foi em 2016 e as últimas contratações aconteceram ao longo de 2019. “De lá para cá, houve muitas demissões fruto de planos de demissão voluntária, de aposentadorias. E o Tarcísio [de Freitas, governador] resolveu que não vai abrir concurso público. Desde que ele assumiu, em 2023, a reivindicação principal da categoria é essa: que haja concurso público para que mais pessoas possam trabalhar e atender à população com qualidade e segurança. E para que a gente não fique doente”, pontua.

“A verdade é que a categoria está se desdobrando para oferecer o serviço de qualidade, de excelência que é muito bem visto pela população de São Paulo.”

Para Camila Lisboa, existe um projeto muito bem arquitetado pela atual gestão estadual de inviabilizar a continuidade do setor público no transporte. “Ele [Tarcísio de Freitas] tem um objetivo central que é privatizar todas as linhas de trens e metrôs. A destruição da empresa pública é uma das etapas do processo de privatização. Ele quer destruir o metrô público para depois entregar para a iniciativa privada e fazer do metrô de São Paulo o que fez com a Sabesp, responsável por uma tragédia ontem [segunda-feira] na cidade de São Paulo”, critica.

A categoria se reúne em assembleia nesta terça-feira na sede do Sindicato dos Metroviários às 18h30 para que os trabalhadores decidam sobre os rumos da mobilização.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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