ACOLHIMENTO

Corrida estimula solidariedade e dá visibilidade à adoção de crianças e adolescentes em acolhimento institucional

Objetivo do evento em Porto Alegre é mostrar a realidade e sensibilizar a sociedade sobre a questão

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adoções no Rio Grande do Sul
CNJ identificou 1.427 casos de devolução: uma média de quase 180 por ano | Crédito: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

As adoções de crianças estão cada vez mais complicadas. Muitas exigências oficiais, sempre necessárias, mas também muitos problemas com futuros adotantes, que buscam a perfeição, onde, às vezes, é impossível de se conseguir. Há aí um verdadeiro descompasso entre o perfil das crianças que aguardam e as exigências dos pretendentes. Por isso, iniciativas que visam valorizar a questão sempre estão acontecendo.

No sábado, dia 23 de maio, por exemplo, acontece em Porto Alegre a 6ª Corrida pela Adoção, a partir das 8h, com largada no Pontal Shopping, zona Sul da capital. A iniciativa é promovida pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e tem como objetivo sensibilizar a sociedade para a realidade de crianças e adolescentes acolhidos institucionalmente e que aguardam a oportunidade de viver em família.

O objetivo da iniciativa esportiva é mostrar que a sociedade precisa ampliar o debate sobre a questão, principalmente sobre adoção tardia, apadrinhamento afetivo e famílias acolhedoras. O Ministério Público quer estimular a reflexão e o engajamento da comunidade em relação aos direitos da infância e da juventude.
Atualmente, existem cerca de 550 crianças e adolescentes aptos a um novo lar, mas a maioria tem mais de 6 anos, possui irmãos ou alguma deficiência, características rejeitadas pela maioria dos adotantes, segundo revela a Evidência Press, que está divulgando o evento.

A programação da corrida incluirá modalidades para todas as idades e níveis de condicionamento físico, como caminhada, corrida kids e percursos de 3km, 5km e 10km. A expectativa é reunir cerca de 1,3 mil participantes nesta edição. Além da conscientização, a Corrida pela Adoção também gera impacto social direto. “Toda a renda arrecadada será destinada à melhoria da infraestrutura de abrigos e casas lares de Porto Alegre, contribuindo para a qualificação dos espaços de acolhimento”, informa Edith Auler, da Evidência.

Em outras edições, os resultados foram muito bons. Entre a 2ª e a 5ª edição, foram arrecadados R$ 262.845,28, investidos integralmente na aquisição de equipamentos e melhorias para instituições da Capital, como aparelhos de ar-condicionado, televisores, caixas de som e itens de uso cotidiano — proporcionando mais conforto, dignidade e qualidade de vida às crianças e adolescentes acolhidos.

O processo de adoção no Rio Grande do Sul envolve os seguintes pontos principais: 1) perfil das crianças: a grande maioria dos acolhidos que aguardam adoção está na faixa entre 12 e 18 anos, e muitos fazem parte de grupos de irmãos; 2) expectativa dos pretendentes: grande parte das pessoas na fila de adoção busca bebês ou crianças muito pequenas, o que torna a fila de espera muito longa para quem deseja esse perfil, enquanto adolescentes permanecem nas instituições e 3) Balanço recente: oficialmente, o Judiciário gaúcho conseguiu proporcionar o acolhimento de centenas de crianças e adolescentes em lares gaúchos.

Flexibilização de perfis

Para aproximar as famílias dos jovens que possuem perfis de “difícil colocação”, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) lançou e aprimorou o Aplicativo Adoção. Ele é pioneiro no país e usa fotos, vídeos, cartas e desenhos para dar visibilidade aos jovens. Público do App: Exclusivo para pretendentes já habilitados no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA). Onde encontrar: Disponível para download na Google Play Store e Apple Store.

Para saber mais sobre a lista de espera, é preciso consultar os dados detalhados pelo órgão oficial ou pesquisar os perfis e acessar a página de Adoção do TJRS. Para acompanhar as atualizações diárias de crianças disponíveis, confira o perfil do projeto no Instagram de Adoção TJRS.

Há quatro anos, a chegada do aplicativo Adoção mostrava a problemática da colocação de crianças em famílias a partir de 6 anos, segundo o Tribunal de Justiça do RS. Das crianças e adolescentes aptos para adoção, 53% estão na faixa etária de 12-18 anos e 22,6% possuem alguma deficiência.

O cadastro do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento está conseguindo ampliar a busca de adotantes. Entre 2019 e 2023, por exemplo, São Paulo, que ocupa a primeira colocação no ranking de adoção, o número chegou a 4.337. O Paraná, segundo colocado, teve 2.443 adoções de crianças e adolescentes. Apesar da boa colocação, ainda há desafios a serem superados, como mais campanhas de adoção e melhor preparação dos pais para receberem os futuros filhos.

Quem está por trás da iniciativa do MPRS

Realização da Corrida da Adoção é do MPRS e Sesc-RS. Patrocínio master é do Banrisul, Detran-RS e Governo do Estado do RS. Patrocinadores Zaffari, Goldbag, Colégio Farroupilha, Farmácias São João, Pompéia, SUCESU-RS e Instituto Victória Nahon. Apoiadores são Pontal Shopping; Associação do Ministério Público do RS; Dra. Tatiana Rosa – Medicina Esportiva; Dra. Verônica Bender – Clínica Dermatológica; ELO – Organização de Apoio à Adoção; Evidência Press Comunicação & MCR2 ; Instituto Cultural Opus; Instituto Lance de Craque do ex-jogador D’Alessandro; Instituto Sou de Fazer; Pato Esportes; PUCRS; Seleção do Bem; Unimed Porto Alegre; Três Corações; SEG Cursos Técnicos; Alma Mater; Associação dos Servidores do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Link para inscrições https://ecommerce.sesc-rs.com.br/ecommerce.paginaprodutoevento.aspx?3440,6%C2%AA-CORRIDA-PELA-ADO%C3%87%C3%83O—KIDS

Editado por: Vivian Virissimo

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