A tentativa do senador Flávio Bolsonaro (PL) de emplacar uma narrativa de que teria sido convidado a visitar a Casa Branca e se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se desenha como estratégia para tentar amenizar a imagem negativa que tem se consolidado a respeito do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, após revelação de relações com o banqueiro Daniel Vorcaro. Contudo, a estratégia pode ser um tiro “a sair pela culatra”.
Essa é a avaliação do cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política (FESPSP), em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. “Ele está criando todo tipo de cortina de fumaça para desviar o foco”, pondera.
Ele avalia que Trump vive um momento pré-eleitoral em que enfrenta também crise de popularidade em seu país e não há vantagem alguma em um encontro com uma figura como Flávio. Pelo contrário. “[Encontrar uma pessoa envolvida] em um escândalo financeiro gigantesco, filho de um presidiário, que é o Jair Bolsonaro, apenas tende a piorar a imagem do Trump perante a opinião pública norte-americana. Me parece que foi um autoconvite, na verdade, do Flávio Bolsonaro, na tentativa de reverter sua imagem, atrair alguma popularidade”, afirma.
Ramirez não acredita que Trump irá intervir diretamente nas eleições brasileiras. “Apenas indiretamente, talvez apoiando as big techs, fazendo uma alusão ou outra a Flávio, mas sem se comprometer o próprio presidente Lula, porque se o Lula for eleito, isso dificulta a, digamos assim, tentativa de exploração norte-americana sobre as terras raras aqui no Brasil.”
O cientista político também estabelece uma comparação entre a recente visita de Lula a Trump e o comportamento altivo e soberano do brasileiro, e uma eventual ida de Flávio Bolsonaro até a Casa Branca.
“O Lula diante de Trump teve uma relação de igual para igual, uma relação respeitosa. Isso foi muito benéfico para a candidatura do Lula e à boa imagem perante a opinião pública aqui no Brasil. Agora, o Flávio Bolsonaro, caso, de fato, vá visitar o Trump, nós já sabemos que tipo de comportamento vai ter: o de um cachorro adestrado, submisso e prestes a obedecer a qualquer coisa que o Trump venha a dizer ou até mesmo rir de qualquer humilhação que o Trump venha a fazer ao Brasil e, inclusive, à família Bolsonaro. Os ‘Bolsonaros’, o Flávio, obviamente que vai sorrir e vai aceitar passivamente, numa atitude servil, numa atitude covarde, uma atitude que ele sempre teve. Ou seja, de submissão plena, absoluta em relação ao Trump. Pode ser que seja mais uma estratégia tola, estúpida, da família Bolsonaro para tentar reverter a imagem do próprio Flávio, e o tiro pode sair pela culatra”, pondera Paulo Niccoli Ramirez.
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