“Eu tenho que estar onde a pátria precisar de mim. E hoje esse lugar é aqui”, afirma Anibex Abreu Rosales, uma das milhares de pessoas que se concentraram nesta sexta-feira (22), em Havana, em defesa do líder histórico da Revolução Cubana, Raúl Castro Ruz.
Em defesa da independência e da soberania do país, diante das crescentes agressões do governo dos Estados Unidos, a mobilização foi convocada por diversas organizações juvenis, entre elas a União de Jovens Comunistas (UJC) e a Federação Estudantil Universitária (FEU). E ocorreu na emblemática Tribuna Anti-imperialista José Martí, em frente à Embaixada dos Estados Unidos, na capital cubana.
Em conversa com o Brasil de Fato, Abreu Rosales explica que, apesar das dificuldades decorrentes da falta de transporte, chegou junto com sua mãe à tribuna, antes do amanhecer.
“Sou fiel e leal à minha pátria, que é o mais importante. E contra isso não há míssil que possa fazer nada. Não há arma capaz de destruir essa lealdade a todos que construíram esta história, esta Revolução, esta pátria”, diz Rosales, sem esconder a emoção que lhe corta a voz.
A convocação foi realizada após se tornar pública a acusação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra Raúl Castro pelo derrubamento, em 1996, de duas aeronaves pertencentes à organização Hermanos al Rescate, incidente no qual morreram quatro pessoas. A ação ocorreu quando Raúl ocupava o cargo de ministro da Defesa.
O governo cubano classificou a acusação como “uma ação política sem qualquer fundamento jurídico” e afirma que os Estados Unidos “mentem e manipulam os fatos relacionados ao derrubamento das aeronaves”, com o objetivo de justificar suas agressões contra Cuba.
“Nós somos a renovação desta revolução. E a primeira coisa que precisamos saber é que, como principal renovação, somos aqueles que temos que dar o primeiro passo à frente”, explica Marcia Martinez Torres, membro da Federação de Estudantes do Ensino Médio.
Direito inalienável à legítima defesa
O discurso central do ato ficou a cargo de Gerardo Hernández Nordelo, um dos cinco Heróis de Cuba e coordenador nacional dos Comitês de Defesa da Revolução (CDR).
“Há muito tempo deixamos de ser analfabetos ou simples observadores sem capacidade de pensar e de identificar as falácias. Como pouco nos conhecem! Como estão distantes de seus objetivos! Se pensam que este povo teria ficado impassível e dócil ao conhecer a infâmia contra seu líder, estão errados”, afirmou em meio aos aplausos dos presentes.
Gerardo Hernández Nordelo foi um dos cubanos infiltrados em uma rede de organizações de extrema direita sediadas em Miami e no Comando Sul dos Estados Unidos durante a década de 1990. A partir dali, informou o Estado cubano sobre diversos atos terroristas que esses grupos preparavam contra a ilha, com o apoio do governo estadunidense.
Durante seu discurso, lembrou que Cuba havia documentado mais de 25 violações do espaço aéreo entre 1994 e 1996, por parte da organização Hermanos al Rescate, apresentando protestos formais e solicitando aos Estados Unidos que interviessem para deter essas incursões. “Se tivessem feito isso, o desfecho teria sido evitado”, assinalou.
“Cuba advertiu de maneira pública e oficial que essas violações eram inadmissíveis. Além disso, foram enviadas mensagens de alerta diretamente ao presidente dos Estados Unidos sobre a gravidade e as possíveis consequências das incursões do Hermanos al Rescate. E o que Washington fez? Absolutamente nada. Seu silêncio foi cumplicidade. Sua inação foi incentivo aos terroristas”, indicou.
Nordelo reiterou o “compromisso com a paz” que Cuba mantém, ao mesmo tempo em que lembrou sua “firme determinação de exercer o direito inalienável à legítima defesa”.
“O povo de Cuba reafirma a decisão inabalável de defender a pátria e a revolução e, com a maior força, ratifica seu apoio absoluto e firme ao general do Exército Raúl Castro Ruz, tal como foi declarado pelo governo revolucionário e como se manifesta em cada canto da pátria”.
Prontos para o combate
“Estamos preparados para o combate. Ninguém vai sequestrá-lo. Isso posso assegurar. Nem a ele, nem a ninguém”, afirmou à imprensa Mariela Castro, filha do ex-presidente Raúl Castro, ao final da mobilização.
“O imperialismo está nos unindo cada vez mais. Está juntando diferentes gerações. Vocês estão vendo como os jovens estão se identificando com o Raúl jovem, revolucionário, estudante, combatente do Moncada, do Granma, da Sierra Maestra”.
Parlamentar e diretora do Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex) de Cuba, Mariela afirmou que seu pai se encontra “tranquilo”. “Sabemos que, enquanto houver uma revolução anti-imperialista, haverá um inimigo gigantesco e impiedoso”, declarou.
