Anticolonialismo

Fórum de Segurança em Moscou reúne países do Sul Global e reforça oposição à ‘hegemonia ocidental’

Recente escalada no conflito ucraniano tomou conta do primeiro dia de discussões

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Fórum Internacional de Segurança, organizado pelo Conselho de Segurança da Rússia e realizado entre 26 e 29 de maio, em Moscou
Fórum Internacional de Segurança, organizado pelo Conselho de Segurança da Rússia e realizado entre 26 e 29 de maio, em Moscou | Crédito: Serguei Monin / Brasil de Fato

Começou nesta terça-feira (26) o Fórum Internacional de Segurança, organizado pelo Conselho de Segurança da Rússia e realizado entre 26 e 29 de maio, em Moscou. De acordo com a organização do evento, 140 delegações de 120 países participam do fórum para discutir os principais dilemas de segurança no sistema internacional, com foco na perspectiva dos países em desenvolvimento, do grupo Brics e do Sul Global.

A programação do evento inclui diversas reuniões de representantes de segurança de alto nível entre os países do grupo Brics e do fórum Rússia-África, 21 mesas-redondas e exposições das principais agências de defesa e segurança da Rússia. O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência brasileira, Celso Amorim, participa do evento.

No primeiro dia do evento, o fórum teve como um dos principais temas de discussão o “combate ao neocolonialismo como uma direção prioritária para garantir a segurança dos países em desenvolvimento”.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, em sua participação, destacou que os Estados Unidos estão impondo agressivamente suas decisões aos países em desenvolvimento, criando novas formas de dependência colonial.

Segundo ela, os EUA “expressaram repetidamente não apenas avaliações, mas também afirmações categóricas sobre a viabilidade da Doutrina Monroe“. Segundo ela, trata-se de uma clara expressão de princípios colonialistas e coloniais.

Ao falar dos mecanismos do Ocidente de buscar manter uma hegemonia sobre os países emergentes, a representante da diplomacia russa afirmou que “sanções, bloqueios de transações e os chamados congelamentos — essencialmente a confiscação de ativos soberanos estrangeiros e poupanças privadas — são usados ​​como instrumento de pressão sobre Estados e regimes indesejáveis, como meio de concorrência desleal”.

“Nessas condições, não vemos alternativa a uma reforma abrangente do sistema financeiro global e de suas principais instituições, baseada nos princípios da não discriminação, diversificação dos métodos de pagamento, consideração dos interesses mútuos e igualdade de acesso às oportunidades e instrumentos financeiros disponíveis”, afirmou a porta-voz.

Zakharova chamou a atenção para o “surgimento de uma nova forma de dependência neocolonial — o neocolonialismo digital“. “Está emergindo um paradigma de dependências, um sistema completo de dependências concebido para vincular as neurocolônias às metrópoles que dominam a digitalização e a inteligência artificial”, explicou.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia acrescentou que uma dessas dependências é baseada em recursos naturais. “Minerais escassos e metais de terras raras estão em alta demanda, o que intensifica a competição por suas reservas limitadas”, afirmou Zakharova.

“Aproveitando-se da necessidade dos países do Sul e do Leste globais de reduzir a chamada exclusão digital, o Ocidente compartilhará suas tecnologias com os países em desenvolvimento, sob a condição de que suas empresas forneçam acesso aos recursos”, declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

Ataque em Lugansk e retaliação russa

Ao comentar o recente anúncio da chancelaria russa, informando que as Forças Armadas da Rússia lançarão “ataques sistemáticos” contra a capital ucraniana de Kiev, Zakharova afirmou que a Rússia continuará fornecendo informações sobre as medidas relacionadas aos ataques a instalações militares e industriais e centros de decisão em Kiev, à medida que os países levantarem questões.

“As informações serão fornecidas com base nas perguntas e esclarecimentos que esses países apresentarem. Esse diálogo continuará”, disse Zakharova a jornalistas presentes no fórum.

A diplomacia russa emitiu um comunicado na última segunda-feira (25) afirmando que os “ataques sistemáticos” a instalações militares em Kiev acontecerão como uma forma de retaliação ao ataque realizado pela Ucrânia contra um dormitório universitário em Starobelsk, na região de Lugansk, que deixou 21 mortos.

O ministério também alertou que os cidadãos estrangeiros e funcionários de missões diplomáticas e organizações internacionais devem deixar Kiev “o mais rápido possível”. A chancelaria russa também aconselhou os moradores da capital ucraniana a se manterem afastados da infraestrutura militar e administrativa.

Ao falar sobre o ataque ucraniano ao dormitório em Starobelsk, Maria Zakharova afirmou que a comunidade internacional reagiu com horror à declaração do Representante Permanente da Letônia na Organização das Nações Unidas (ONU) de que o ataque das Forças Armadas da Ucrânia em Starobilsk foi uma farsa.

Mais de 50 jornalistas estrangeiros de 19 países viajaram para Starobelsk após o ataque das Forças Armadas da Ucrânia. A reportagem do Brasil de Fato esteve presente na comitiva organizada pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

Editado por: Luís Indriunas

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