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Irã e Estados Unidos concordam em prolongar cessar-fogo por 60 dias, mas trégua depende de Trump

Os dois países vêm se acusando mutualmente de violar o tênue cessar-fogo

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Mulher perto de um grande cartaz político na Praça Enghelab, no centro de Teerã, em 26 de maio
Mulher perto de um grande cartaz político na Praça Enghelab, no centro de Teerã | Crédito: Atta Kenare/AFP

Os negociadores estadunidenses e iranianos chegaram a um acordo para prorrogar o cessar-fogo de 60 dias, mas este ainda precisa da aprovação do presidente Donald Trump, informaram nesta quinta-feira (28) fontes dos EUA à AFP.

A informação surgiu depois que Estados Unidos e Irã se acusaram mutuamente de violar o cessar-fogo, após uma série de ataques, três meses depois de a guerra ter começado em decorrência dos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra a república islâmica.

As fontes confirmaram a informação publicada pelo portal Axios, segundo a qual ambas as partes chegaram a um acordo sobre um memorando de entendimento para prolongar a trégua e iniciar negociações sobre o programa nuclear do Irã.

No entanto, uma fonte próxima à equipe negociadora negou à agência iraniana Tasnim que o texto tenha sido finalizado.

Além disso, a fonte afirmou que o Irã ainda não informou ao mediador paquistanês e que, até que isso aconteça, “qualquer informação proveniente de fontes ocidentais sobre a conclusão desse assunto carece de fundamento”.

As informações surgiram pouco depois das hostilidades mais graves desde a implementação do cessar-fogo em 8 de abril, que comprometeram os esforços diplomáticos para encerrar a guerra.

As forças estadunidenses realizaram bombardeios na cidade portuária de Bandar Abbas e, em represália, a Guarda Revolucionária Islâmica anunciou um ataque contra uma base dos EUA.

A Guarda Revolucionária não especificou qual base, mas Kuwait, aliado próximo de Washington, condenou o ataque com drones e mísseis contra seu território, atribuído ao Irã, e afirmou que isso representa “uma escalada perigosa”.

As forças iranianas também realizaram disparos de advertência contra quatro embarcações que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz, informou nesta quinta-feira a televisão estatal iraniana.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou as “violações contínuas do cessar-fogo” por parte dos Estados Unidos, e seu porta-voz, Esmaeil Baqaei, assegurou que Teerã “tomará todas as medidas necessárias para defender sua soberania nacional”.

O Exército estadunidense, por sua vez, afirmou que o ataque com míssil do Irã contra o Kuwait é uma “violação flagrante do cessar-fogo”.

Segundo um funcionário dos EUA ouvido pela AFP, “essas ações foram moderadas, puramente defensivas, e destinadas a manter o cessar-fogo”.

‘Um inferno’

Um ponto-chave do acordo proposto é restabelecer totalmente a navegação no Estreito de Ormuz, praticamente fechado pelo Irã e por onde, antes da guerra, transitava um quinto das exportações globais de hidrocarbonetos.

Na quarta-feira, Donald Trump ameaçou Omã, aliado de Washington, ao ser questionado sobre um possível acordo de curto prazo que permitiria a esse país e ao Irã controlarem Ormuz, afirmando que os “explodiria” caso Mascate decidisse colaborar com esses planos.

E nesta quinta-feira, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, ameaçou sancionar Omã caso colabore com o Irã no sistema de pedágios.

Omã mediou as negociações entre Washington e Teerã antes da guerra e também foi alvo de ataques das forças da república islâmica.

Ataques no Líbano

Em outra das frentes mais ativas, os bombardeios e combates prosseguem no Líbano apesar de outro cessar-fogo que, em teoria, está em vigor desde 17 de abril. O Exército israelense afirmou que realizou um ataque seletivo na região de Beirute, e as Forças Armadas libanesas afirmaram que o ataque atingiu um apartamento ao sul da capital.

Em imagens da AFPTV é possível ver uma coluna de fumaça saindo de uma área próxima aos subúrbios do sul de Beirute, um reduto do movimento pró-iraniano Hezbollah. O Ministério da Saúde do Líbano afirmou, nesta quinta-feira, que ataques israelenses no sul do país mataram ao menos 14 pessoas, entre elas duas crianças.

O Exército israelense havia anunciado no mesmo dia que bombardeou alvos do Hezbollah na cidade de Tiro, no sul do país, um dia após advertir que considerava “zona de combate” todo o território situado ao sul do Zahrani, rio que corre a cerca de 40 quilômetros ao norte da fronteira comum.

O Ministério da Saúde do Líbano indicou na quarta-feira que, desde que a guerra começou no início de março, pelo menos 3.269 pessoas morreram em ataques israelenses.

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