O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou na terça-feira (9) que o banco precisa de R$ 8,8 bilhões para cobrir o prejuízo fruto das negociações com o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro. A informação foi confirmada em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Souza explicou que a aquisição total foi de R$ 30 bilhões em títulos do Master. Deste valor, pelo menos R$ 8,8 bi podem estar perdidos. Isso significa que não há garantia real do BRB ser reembolsado. O presidente também afirmou que as demonstrações financeiras do banco em 2025 serão divulgadas em breve. “A quem mais interessa divulgar o balanço é o próprio BRB”, disse.
Para cobrir o rombo, o Governo do Distrito Federal (GDF) propôs um projeto de lei, já aprovado na Câmara Legislativa do DF, que o autoriza a fazer um empréstimo de R$ 6,6 bi ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma entidade privada mantida com as contribuições obrigatórias de bancos públicos e privados. A operação foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de maio.
Em vários momentos, Nelson Antônio Souza defendeu que o projeto de salvação do banco está de acordo com as leis fiscais e afirmou que o empréstimo é “compatível com os marcos legais”. O executivo também ressaltou a importância do banco para o Distrito Federal e regiões atendidas pelo BRB.
“É importante destacar que essa solução não envolve transferência direta de recursos da União, nem concessão de garantia ao aval federal. Trata-se de uma estrutura compatível com os marcos legais e regulatórios vigentes, construída com segurança jurídica e responsabilidade fiscal”, pontuou.
Próximos aportes
A securitização permite ao GDF receber, antecipadamente, créditos a vencer. A primeira etapa, em 25 de maio, rendeu R$ 1,17 bi ao BRB. A expectativa de Souza é que o banco consiga, com o mecanismo, no mínimo mais R$ 3 bi por meio da operação financeira estruturada com a participação do banco BTG Pactual. “Precisaremos de apenas R$ 2,2 bi para termos o aporte de R$ 8,8 bi”, disse.
Nelson avaliou a que a securitização é fundamental para a sobrevivência do BRB, diante do risco de liquidação ou intervenção — processos administrativos em que o Banco Central assume o controle de uma instituição financeira com problemas graves.
Ao todo, o BRB administra 30 bilhões de reais em depósitos judiciais e controla 64% dos financiamentos imobiliários do Distrito Federal, com carteira de 15 bilhões. O Governo do Distrito Federal detém 53,7% de participação no banco.
Segundo Souza, a instituição já é mais saudável do que em novembro, quando chegou ao BRB, e continua cumprindo suas obrigações e operando regularmente. Questionado se a quantia do empréstimo reduziria a verba destinada ao desenvolvimento do DF, o presidente não respondeu.
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