Comida no prato

Saúde começa na mesa das famílias 

Deputada estadual Marina do MST (PT) aponta falta de orçamento para programas de segurança alimentar

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Mulher é servida em restaurante popular
Pelo menos 22,3% dos lares fluminenses convivem com a falta de comida ou a incerteza da próxima refeição | Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Para nós, dos movimentos populares, falar sobre saúde e qualidade de vida não começa na fila do hospital ou na farmácia, mas na qualidade daquilo que se come, do alimento que vai da mesa das famílias trabalhadoras à merenda das nossas crianças.  

Enquanto o Brasil, sob a liderança do presidente Lula, celebra a saída do Mapa da Fome da ONU em 2025, fruto de políticas de proteção social, o Rio de Janeiro, no entanto, caminha para trás. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somos o estado com o pior índice de insegurança alimentar da região sudeste. Pelo menos 22,3% dos lares fluminenses convivem com a falta de comida ou a incerteza da próxima refeição.  

Não nos enganemos: a fome no estado do Rio não é um acidente, é parte de um projeto político que se aprofunda em 2026. Diante de um déficit nas contas públicas de quase R$ 20 bilhões, quem vai pagar pelo endividamento do Estado do Rio é o povo pobre, com reduções significativas na verba destinada ao combate à fome. 

A tesoura do governador Cláudio Castro (PL) passou por iniciativas como o Programa de Desenvolvimento Agropecuário, Pesqueiro e Aquícola Sustentável, vital para a agricultura familiar e camponesa — que é quem produz comida saudável e sem veneno —, com um corte brutal de 17% em relação ao ano anterior. Já o Programa de Segurança Alimentar e Nutricional também encolheu.  

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Castro se elegeu prometendo dignidade, mas entrega abandono. Prometeu espalhar restaurantes populares pelo estado, equipamentos que, apesar de toda a complexidade na execução deste projeto na ponta, são reconhecidos pela garantia de uma refeição balanceada e saudável para o trabalhador. O problema é que, na realidade, Castro inaugurou menos da metade do prometido. 

O problema não está somente no que se destina ao combate à fome, mas também no que se executa. Ao analisarmos o que foi de fato implementado em 2025, vimos, por exemplo, que a ação de “Promoção do Acesso do Agricultor ao Mercado Institucional” , essencial para colocar alimentos da reforma agrária na merenda escolar e garantir a nutrição dos estudantes, teve execução zero até outubro. Ou seja, o dinheiro até existia no papel, mas o governo escolheu não gastar. 

É importante lembrar que governo é esse: o mesmo que vendeu parte da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) e agora flerta com novos estudos de abertura de capital, entregando o que resta do nosso patrimônio; o mesmo que se enrola em escândalos de corrupção como o do Banco Master, onde está aplicado mais de R$ 1 bilhão do dinheiro dos aposentados e pensionistas do RioPrevidência. Ou seja, para os banqueiros e para os esquemas, há recursos e agilidade; para a saúde e a alimentação do povo, há desculpas e cortes. 

À frente da Presidência da Comissão de Segurança Alimentar da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), fiscalizamos o abandono das obras dos restaurantes populares e lançamos a campanha “De Olho no Prato”, monitorando a qualidade da merenda, porque sabemos que, para muitos estudantes, aquela é a principal refeição do dia. 

Na votação em plenário do Orçamento de 2026, alertei que o déficit bilionário não pode servir de escudo para um governo que mata de bala e mata de fome. Apresentamos emendas impositivas e prioritárias para garantir recursos à agricultura familiar, fortalecer as cozinhas solidárias nos territórios periféricos e assegurar que a comida de verdade chegue a quem tem fome.  

O ano de 2026 será duro, de orçamentos apertados e disputas acirradas. Seguiremos fiscalizando cada centavo, denunciando o desmonte e organizando a luta coletiva por mudança. 

*Marina do MST é deputada estadual pelo PT do Rio de Janeiro.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

***Artigo publicado originalmente na edição 381 do jornal Brasil de Fato RJ.

Editado por: Juliana Passos

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