FUTURO DA CIDADE

Oposição aprova 18 emendas ao Plano Diretor de Porto Alegre após acordo com base governista

Votação em blocos garante proteção das Zonas Especiais de Interesse Social mas rejeita 136 propostas

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Vereadores da base e da oposição formaram blocos de emendas que fazem parte do acordo de votação do Plano Diretor
Vereadores da base e da oposição formaram blocos de emendas que fazem parte do acordo de votação do Plano Diretor | Crédito: Foto: Ederson Nunes/CMPA

A Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou 18 emendas apresentadas pela oposição ao Plano Diretor Urbano Sustentável (PDUS), em sessão realizada nesta segunda-feira (30), após acordo para votação em blocos entre base do governo e oposição. No mesmo processo, 136 emendas foram rejeitadas, enquanto outras seguem em tramitação.

O vereador Giovani Culau (PCdoB) destacou, nas redes sociais, a aprovação da emenda que garante a proteção das Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis). “São áreas da cidade, espaços da cidade gravados para serem destinados à regularização fundiária e garantia de moradia digna e habitação popular para quem hoje não tem onde morar.”

Ele explicou que a proposta original enviada pelo prefeito Sebastião Melo (MDB) “abria a brecha para que, no futuro, essas áreas fossem suspensas, ou seja, abrir espaço para que houvesse investimento público, uso de recursos públicos para qualificar regiões e depois entregar elas para a iniciativa privada para especulação imobiliária”.

As Zeis são áreas destinadas prioritariamente à moradia da população de baixa renda, com regras específicas para garantir a permanência dessas comunidades e viabilizar políticas de habitação popular. Esse instrumento também permite a regularização de assentamentos já existentes e busca evitar a expulsão de moradores de regiões urbanizadas.

A vereadora Juliana de Souza (PT) também celebrou a aprovação nas redes sociais. “O que governo Melo queria era que depois que chegasse a infraestrutura urbana, os serviços públicos, em comunidades que lutam há décadas por isso, simplesmente essas terras fossem disponibilizadas para especulação imobiliária”, disse, acrescentando que a oposição, junto ao Fórum de Entidades, assegurou a proteção dessas áreas.

Ela também afirmou que a disputa em torno do plano continua, com mais de 160 emendas ainda em análise. Disse que as propostas buscam “defender uma cidade protegida para realidade de emergência climática” e reforçou a necessidade de ampliar a participação popular, afirmando que “Porto Alegre precisa saber o que os vereadores e vereadoras votam nessa casa quando se fala sobre o futuro dessa cidade”.

A oposição sustenta que o projeto do Plano Diretor, na forma proposta pelo Executivo, favorece a especulação imobiliária, enfraquece o princípio da função social da propriedade e pode ampliar desigualdades urbanas. As críticas também apontam limitações no debate público e na incorporação de contribuições técnicas e sociais, além da ausência de medidas estruturantes diante da crise climática e dos impactos recentes de eventos extremos na cidade.

Emendas aprovadas

Emenda nº 50 – Propõe a construção de alternativas no entroncamento viário das Avenidas Ipiranga, Antônio de Carvalho e Bento Gonçalves e ampliar as vias de acesso ao Bairro Lomba do Pinheiro e ao município de Viamão.

Emenda nº 51 – Inclui como ação de qualificação dos espaços públicos o mapeamento, registro e preservação dos campos de várzea e praças esportivas existentes no município de Porto Alegre.

Emenda nº 56 – Altera inciso que estabelece como componentes do Sistema de Espaços Abertos: as Áreas Tradicionais de Encontro Social, que são espaços utilizados como pontos de reunião para eventos sociais, culturais e comunitários, podendo estar inseridos em mercados, praças, parques, espaços culturais ou religiosos, bibliotecas comunitárias e espaços de leitura de gestão social.

Emenda nº 61 – Inclui regra com objetivo de orientar os convênios e parcerias firmados pelo município para a adoção de práticas sustentáveis no setor ferroviário, incentivando o uso de fontes renováveis de energia e tecnologias de baixo impacto ambiental.

Emenda nº 64 – Suprime o item do projeto que permite rever o gravame de Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) nas hipóteses em que a respectiva área atingir estágio avançado de integração à estrutura urbana, conforme avaliação técnica fundamentada.

Emenda nº 69 – Propõe implantação de infraestrutura verde e drenagem sustentável em projetos na Área Central.

Emenda nº 71 – Prevê estimular o reuso adaptativo de edificações existentes na Área Central da cidade.

Emenda nº 75 – Inclui como objetivos específicos para o Centro Histórico incluir o aspecto ambiental, além do econômico e social, nos projetos de recuperação da função residencial do Centro Histórico.

Emenda nº 93 – Inclui nas ações da área estruturadora da Orla consolidar como zona de turismo, cultura e convivência noturna, promovendo o entretenimento sustentável e seguro, com atividades culturais, gastronômicas e de lazer noturno, assegurado o uso democrático dos espaços urbanos. 

Emenda nº 103 – Propõe, na região da Restinga, a promoção da qualificação urbanística e ambiental dos núcleos existentes.

Emenda nº 108 – Prevê que a área estruturadora Belém Novo e Ponta Grossa terá ações para qualificar o acesso público à Orla na região do bairro Ponta Grossa.

Emenda nº 126 – Prevê que os incentivos urbanísticos a empreendimentos que adotem padrões reconhecidos de sustentabilidade e resiliência climática deverão priorizar empreendimentos que contribuam para a adaptação climática urbana, a redução de vulnerabilidades socioambientais e a melhoria da qualidade de vida da população residente.

Emenda nº 150 – Altera a redação do inciso 1 do artigo 10, que traça estratégias e ações do novo PDUS. A nova redação propõe que PDUS busque “fomentar a apropriação do Guaíba e de sua orla pela população, valorizando sua paisagem, características locais, patrimônio cultural e áreas naturais, promovendo o desenvolvimento das atividades náuticas, do turismo e do transporte fluvial.

Emenda nº 162 – Inclui como uma das diretrizes do planejamento e da gestão urbana a promoção da regularização fundiária e urbanística nas Zonas Especiais de Interesse Social.

Emenda nº 261 – Emenda refere-se ao Art. 11, que prevê ações e estratégias para redução do tempo de deslocamento das pessoas, alterando o inciso XI, que passa a vigorar com a seguinte redação: “expandir e interligar a rede cicloviária do município, com ênfase na região do Extremo Sul, assegurando a adequação dos padrões viários e das infraestruturas de mobilidade para garantir a segurança dos usuários, em conformidade com o Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI), instituído pela Lei Complementar Municipal nº 626, de 15 de julho de 2009.”.

Emenda nº 338 – Inclui a seguinte diretriz para as estratégias e ações relativas à Estrutura de Adaptação Climática: implementar medidas para mitigação das ilhas de calor urbano, promovendo a criação de refúgios climáticos e pontos de resfriamento em áreas públicas, como praças, parques, ciclovias e calçadas, mediante o uso de infraestrutura verde, arborização, ventilação natural, nebulizadores ou dispositivos similares de resfriamento.

Emenda nº 343 – Inclui o seguinte objetivo específico para a Área Central da cidade: consolidar a Área Central como espaço de realização do Carnaval de Rua, dos blocos carnavalescos e de manifestações culturais, para que sejam referência no Mercosul, respeitando e impulsionando também os eventos descentralizados.

Emenda nº 346 – Prevê que a mobilidade urbana na Macrozona 10 (que abrange os bairros Belém Novo, Boa Vista do Sul, Chapéu do Sol, Extrema, Lageado, Lami, Ponta Grossa e São Caetano) deverá priorizar a integração eficiente entre seus bairros, especialmente com o eixo de conexão com a Restinga, e o restante da cidade, mediante o fortalecimento do transporte público, a qualificação da infraestrutura viária e cicloviária, e a implantação de soluções sustentáveis de deslocamento que respeitem as características ambientais e paisagísticas locais.

Editado por: Marcelo Ferreira

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