Direitos

Quando a comunicação sindical incide na sociedade

Cartum da Engenheira Eugênia trata da violação de direitos no cotidiano do trabalho

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Cartum da Engenheira Eugênia
Cartum da Engenheira Eugênia aborda temas como assédio moral e direitos das mulheres | Crédito: Engenheira Eugênia/Fisenge

Já imaginou uma engenheira inspirando aprendizados nos cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA)? As histórias em quadrinhos da Engenheira Eugênia ganharam espaço na apostila “Práticas de Alfabetização e de Matemática – anos iniciais do ensino fundamental”, organizada por profissionais formados pela USP: Raphaelle Vicentin, Lígia Gomes e Judith Nuria Maida (coord.), publicada no início de 2026. A Engenheira Eugênia é a protagonista das histórias em quadrinhos publicadas pelo Coletivo de Mulheres da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge).

No quadrinho selecionado, uma situação infelizmente comum: a engenheira enfrenta assédio no trabalho, quando seu chefe exige um projeto de um dia para o outro e ainda desqualifica sua competência por ela ser mulher — um nítido exemplo de assédio moral e machismo. A proposta da atividade vai além do conteúdo: convida estudantes a reconhecerem essas situações e a refletirem, por meio do diálogo, sobre respeito, igualdade e direitos no ambiente de trabalho.

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De acordo com a engenheira química e diretora da mulher da Fisenge, Simone Baía, esta é uma conquista coletiva que reafirma o compromisso da Federação e das mulheres engenheiras com um projeto de transformação social. “Em um cenário em que os índices de violência contra a mulher e de feminicídio seguem alarmantes, é urgente fortalecer a compreensão e o enfrentamento da violência de gênero também nos espaços educativos. A educação é uma ferramenta essencial para transformar realidades e a comunicação sindical cumpre esse papel de dialogar com a categoria e com a sociedade”, afirmou Simone que é uma das idealizadoras da Engenheira Eugênia.

A iniciativa já circulou nas favelas do Rio de Janeiro pelo projeto “Viaduto Literário”, em escolas no Pará e teve reconhecimento com o Prêmio de Direitos Humanos da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra) na categoria cidadã em comunicação sindical. A Engenheira Eugênia já foi traduzida para o inglês, tendo sua circulação no movimento sindical internacional. “Queremos que a Engenheira Eugênia circule por mais espaços como universidades, sindicatos, moradias, escolas”, disse Simone.

Com 13 anos de existência, o cartum da Engenheira Eugênia tem o objetivo de promover a conscientização sobre os direitos das mulheres do conjunto da sociedade em relação ao mundo do trabalho. Elas tratam de temas como assédio moral, violência contra a mulher, instalação de banheiro feminino em canteiros de obras e no campo, combate ao racismo e à LGBTQIAPN+fobia são debatidos nas relações cotidianas da Engenheira Eugênia que é uma mulher negra, com 40 anos e 15 de profissão, recém-divorciada com dois filhos: uma pré-adolescente e um menino de 9 anos. A primeira edição, lançada em fevereiro de 2013, trata sobre respeito às cláusulas familiares e direito de férias.

Quem quiser utilizar a Engenheira Eugênia, pode enviar um e-mail para [email protected]

Os quadrinhos podem ser acessados em: www.fisenge.org.br

*Camila Marins é jornalista da Fisenge e mestre em políticas públicas em direitos humanos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato

Editado por: Juliana Passos

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