Já é o 4º acidente

‘Governo de SP precisa fiscalizar a Sabesp’, critica deputada Paula Nunes, após acidente com explosão

Para deputada estadual, água é 'um direito humano fundamental das pessoas'

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Explosão deixou um homem morto, três pessoas feridas e residências destruídas
Explosão deixou um homem morto, três pessoas feridas e residências destruídas. | Crédito: Reprodução/TV Brasil

Em 2023, quando a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) votou pela privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), os críticos ao projeto já previam piora no serviço e aumento das tarifas. Quem lembra dessa história é a deputada estadual Paula Nunes (Psol), em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Além de se solidarizar com as vítimas do episódio desta segunda-feira (11), quando uma tubulação de gás explodiu durante uma obra da Sabesp, deixando um morto, feridos e um rastro de destruição no Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, a parlamentar denuncia o descaso e a falta de fiscalização desde a privatização da empresa. “O primeiro efeito já foi sentido logo nos primeiros meses da privatização, que foi o aumento generalizado na conta de água das pessoas. Só que o que nós vimos desde então foi uma série de acidentes, inclusive com vítimas fatais. Chegamos ao quarto acidente já com a Sabesp privatizada“.

“Algo que me chama muita atenção também é a resposta da empresa. Existia uma resposta ao longo do dia de hoje [terça-feira], de que a Sabesp atenderia com R$ 2 mil cada família impactada. R$ 2 mil pelo dinheiro que a Sabesp foi vendida e o dinheiro que movimenta, pelo nível de impacto que essas famílias tiveram, é uma piada. Isso mostra a piada e o descaso com que o governo do estado tem com a privatização, com o que houve depois da privatização. Por mais que exista uma agência reguladora ligada ao governo do estado, a Arcesp, que precisa fiscalizar os trabalhos da Sabesp, percebemos que essa fiscalização não está acontecendo e isso nos preocupa”, critica.

Nunes lembra como se deu a votação na Alesp, que foi marcada por tensionamentos entre os grupos favoráveis e contrários e ação da polícia legislativa, que lançou bombas de gás lacrimogêneo, inviabilizando a continuidade da sessão de forma democrática. “Foi extremamente truculento e foi, na minha avaliação, totalmente ilegal, com bombas, com gás lacrimogêneo dentro do plenário, que fez com que diversos parlamentares não pudessem sequer voltar ao plenário para votar contra e fez com que a oposição se retirasse da votação. Eu, por exemplo, estava grávida de oito meses quando a votação da Sabesp aconteceu. O fato de o plenário estar permeado de gás fez com que eu não pudesse estar no plenário, por exemplo”, apontou a deputada.

Paula Nunes defende que a empresa precisa estar implicada legalmente nas funções de abastecimento da população, já que a água é um direito básico para a dignidade humana. “Temos a necessidade de acionar legalmente o que hoje a Sabesp está fazendo. E eu acho que o caminho é cobrar a responsabilidade do governo do estado em pelo menos não se omitir diante do caos que a privatização gerou, porque água é um serviço público básico. Água é um direito humano fundamental das pessoas. Todo mundo precisa ter direito à água, e essa água existe; ela precisa chegar até as pessoas. Não é possível que ela não chegue e chegue cara, e estejam acontecendo acidentes que vitimam pessoas”, conclui.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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