O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou nesta quinta-feira (14) que o país está disposto a ouvir a oferta humanitária que os Estados Unidos fizeram, no valor de US$ 100 milhões, mas destacou que a “maior ajuda” seria “desescalar as medidas do bloqueio”.
A oferta mencionada por Rodríguez foi divulgada em comunicado publicado pelo Departamento de Estado dos EUA nesta quarta-feira. Segundo o texto, Washington estaria disposta a oferecer “uma quantia de 100 milhões de dólares em assistência humanitária direta ao povo cubano, que seriam distribuídos em coordenação com a Igreja Católica e outras organizações humanitárias confiáveis”.
Os EUA ainda mencionam que o governo cubano teria negado a oferta em momentos anteriores e destacam que “a decisão está nas mãos do regime”.
A proposta, no entanto, foi formalizada pelo Departamento de Estado na terça-feira, após o secretário Marco Rubio falar da oferta em entrevista à emissora Fox News.
Em nota, o chanceler cubano destacou que é a primeira vez que a proposta é formalizada e disse que ela segue sem detalhes, “se será uma ajuda em dinheiro ou materiais, e se será destinada a necessidades mais urgentes do momento para o povo cubano, como combustíveis, alimentos e remédios“.
“De todas as maneiras, ainda levando em consideração a incongruência da aparente generosidade da parte de quem submete o povo cubano a um castigo coletivo por meio de uma guerra econômica, o governo cubano não tem como prática rechaçar ajuda estrangeira”, disse Rodríguez.
O ministro cubano também disse que o país não tem problemas em trabalhar com a Igreja Católica e que está “disposto a escutar as características da oferta e a maneira com que ela será materializada”.
No entanto, Rodríguez destacou que a ilha espera que a ajuda “seja livre de manobras políticas e tentativas de aproveitar as carências e a dor do povo sob assédio”.
Apagões em Cuba se intensificam
A oferta dos EUA chega em meio a mais uma intensificação dos apagões no país, que sofre com escassez de combustíveis devido ao endurecimento do bloqueio estadunidense contra a ilha.
O ministro de Energia e Minas de Cuba, Vicente de la O Levy, prestou esclarecimentos sobre a nova onda de instabilidades elétricas que o país enfrenta e classificou a situação como “aguda e crítica”.
Segundo Levy, as condições pioraram muito após o fim do último carregamento de combustível enviado pela Rússia, que continha 100 mil toneladas de petróleo. A ilha ficou novamente “sem nenhuma reserva” de combustível, explicou.
“[O apagão] está dado fundamentalmente pelo bloqueio energético ferrenho que estamos vivendo. Um bloqueio energético que é posterior ao bloqueio que já enfrentávamos há muitos anos. O que ele fez foi agudizar mais a situação energética do país”, disse o ministro.
O chefe da pasta ainda explicou que a paralisação das usinas termelétricas também é uma das principais causas da atual baixa disponibilidade de energia elétrica no país.
“Isso tornou esta semana extremamente tensa, porque a usina de Felton foi paralisada ao mesmo tempo em que Mariel e Havana estão todas sem combustível”, explicou o ministro.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, também se manifestou sobre a intensidade dos apagões no país e direcionou críticas ao bloqueio dos EUA.
“Nesta quarta-feira, por exemplo, a quantidade de eletricidade gerada em Cuba devido à escassez de combustível causada por este bloqueio criminoso chega a 1.100 MW”, disse o mandatário, explicando que o déficit de geração de eletricidade seria de 2 mil MW.
“A melhor demonstração do que estamos dizendo é a significativa melhoria no serviço durante o mês de abril. A chegada de apenas um navio-tanque a um porto cubano, dos oito necessários no mínimo a cada mês, permitiu reduzir o déficit e, consequentemente, os apagões, que, embora não tenham desaparecido completamente, foram significativamente atenuados”, afirmou Diaz Canel, em referência ao petroleiro russo que levou a ajuda de Moscou à ilha.
O governo não divulgou a extensão ou duração das falhas elétricas desta semana. Relatos de moradores de Havana falam em apenas duas horas de eletricidade por dia.
