Clã político

É cedo para falar em desistência de Flávio porque ‘bolsonarismo é projeto político familiar’, avalia cientista político

Cláudio Couto considera filho de Jair Bolsonaro cada vez mais desgastado, mas não o suficiente para sair da disputa

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). | Crédito: Lula Marques/ Agência Brasil

O presidente Lula (PT) aparece com 47% de intenções de voto contra 43% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno em pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (22), aumentando vantagem do pré-candidato à reeleição após divulgação do envolvimento do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.

O levantamento mostrou que a rejeição de Flávio subiu de 43% para 46%. Já a rejeição do petista caiu de 47% para 45%.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Cláudio Gonçalves Couto analisa que o escândalo foi decisivo nessa pré-campanha e consolida o que já se desenhava no cenário político. “A pesquisa está alinhada com o que já havia sido revelado em outras pesquisas e confirma o desgaste que Flávio sofreria. Mas, por enquanto, é um desgaste dentro de um certo limite, ou seja, o Flávio caiu quatro pontos, Lula subiu dois. Na projeção do segundo turno, havia a indicação de um empate técnico; agora já há uma distância maior, mas ainda é uma distância limitada”, aponta.

Apesar do cenário, Couto acredita que ainda é cedo para considerar Flávio carta fora do baralho. “Não é o suficiente para apostar numa desistência da candidatura do Flávio em que ele seja rifado por seus apoiadores. Temos quase cinco meses até as eleições, e isso é muito tempo quando se trata de eleição. E, conhecendo a configuração desse campo da ultradireita, a gente vai ver uma tentativa de recuperação de Flávio Bolsonaro. É o mais provável”, afirma.

Com relação ao descolamento de aliados da candidatura de Flávio, o cientista político não acredita em uma eventual construção de uma candidatura fora do clã Bolsonaro. “A gente sabe que o bolsonarismo é um projeto político familiar. E eu até acho que o candidato preferencial seria Eduardo, mas ele está foragido nos EUA. E os Bolsonaro não confiam na madrasta, que é a Michelle. O próprio [Jair] Bolsonaro já deu declarações públicas de que não confia, de que ela não tem preparo. E a relação dela com os enteados não é das melhores. Para Flávio se tornar claramente tóxico, o desgaste precisaria ser maior. Isso pode acontecer num futuro próximo, mas, nesse momento, ainda não acho que ele será abandonado”, avalia.

Cláudio Couto também analisa a forma com que outros candidatos da direita têm se posicionado diante das notícias recentes. “Pensando em Zema e Caiado, os dois vão apostar em bater no Flávio, mas Caiado menos. E Renan Santos também disputa esse eleitorado, e também está sendo mais incisivo nas críticas, porque farejaram cheiro de sangue na água e vão em cima da presa. É preciso esperar um pouco mais, novas pesquisas e até outros fatos que piorem a situação. Não acho que chegou esse momento”, reforça.

Couto aponta que o melhor adversário para Lula continua sendo Flávio, porque existe, sim, um grupo que apoia cegamente a família, mas, ao mesmo tempo, também existe uma rejeição maior do que a outros candidatos do campo conservador. “Eles [outros candidatos da direita] não têm uma identidade tão clara e nem o passivo que os bolsonaros têm. Eles têm menos força para conseguir chegar ao segundo turno, ainda que, estando no segundo turno, talvez até pudessem ser mais competitivos. Flávio Bolsonaro é o oposto”, pondera.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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