Universidades unidas

‘Luta é unificada contra projeto maior de precarização no estado de SP’, diz coordenadora do DCE da USP

Rosa Baptista destaca importância da presença de outros setores do serviço público de SP na mobilização

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Fotos: Elineudo Meira (Chokito) / @fotografia.75
Luta unificada entre vários setores é contra a precarização dos serviços públicos e as intenções de privatização da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ricardo Nunes (MDB) | Crédito: Elineudo Meira (Chokito) / @fotografia.75

Estudantes universitários de diversas instituições públicas de São Paulo seguem mobilizados contra o que definem como desmonte da educação promovido pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Desde abril, uma greve promovida pelos alunos de faculdades como a Universidade de São Paulo (USP), Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) e Universidade de Campinas (Unicamp) denuncia precarização das estruturas do ensino superior, más condições do bandejão e falta de políticas para permanência estudantil.

Na última quarta-feira (20), uma manifestação reuniu milhares em uma caminhada do Largo da Batata, na zona oeste da capital paulista, ao Palácio dos Bandeirantes (sede do governo estadual) e contou com apoio de servidores públicos de outros setores que também reivindicam melhores salários e condições de trabalho, entre eles os professores municipais e metroviários.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Rosa Baptista, coordenadora do DCE da USP, fala que a unificação das lutas é fundamental porque não se trata de um ou outro setor, mas de um projeto de precarização dos serviços públicos e de privatização por parte do governo estadual e também municipal de São Paulo.

“A marcha tem um sentido de apontar que é importante debater as lutas localmente, que é como estamos fazendo com a construção das greves, mas o processo de mobilização não pode ficar preso apenas nas universidades, inclusive porque existe um projeto maior que vai além das universidades, por isso, a gente construiu esse dia de unificação, mas também de coesão e síntese contra um projeto de precarização que afeta o estado como um todo”, avalia.

“A realidade em que se encontram as universidades é muito grave, de muito sucateamento, mesmo sendo universidades de muito prestígio e excelência. Seja por salários insuficientes, seja por condições deprimentes de estruturas que os estudantes convivem. Há estruturas de prédios muito ruins, o medo é cair o teto sobre as nossas cabeças”, relata a estudante.

Baptista explica que as universidades públicas receberam muitos alunos nos últimos anos, com abertura de cursos e ampliação de vagas, mas o orçamento não acompanhou. “USP, Unicamp e Unesp estão muito maiores do que há 15 anos. O investimento de orçamento não acompanhou e existe um problema de orçamento, de repasse, sobretudo hoje que existe um debate de formas de financiamento do ensino superior. E se avançou dentro da própria universidade uma disputa por esse orçamento, existe um avanço neoliberal que impede que as universidades invistam, por exemplo, em permanência dos estudantes. Isso tudo é escolha”, avalia.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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