O debate do fim da escala 6×1 tem uma semana decisiva no Congresso Nacional. Nesta segunda-feira (25), após reunião com o presidente Lula (PT), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que a escala 5×2 e a redução de duas horas na jornada (de 44 para 42 horas) devem entrar em vigor em até 60 dias após aprovação da PEC 221/2019. Manifestações pelo fim da escala 6×1 tomaram as ruas do país ao longo do final de semana e também nesta segunda, quando foi registrado um ato na avenida Paulista, em São Paulo (SP).
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a deputada estadual de Pernambuco Rosa Amorim (PT) aponta que a mobilização popular tem pressionado o Congresso Nacional. E a prova foi o resultado da conversa entre Motta e Lula.
“Era para estarmos discutindo a redução para 36 horas e não uma transição para 40 horas. Mas a transição já é uma conquista. O fim da escala 6×1 é uma pauta do povo brasileiro e as pesquisas mais recentes mostram que 70% da população é favorável a essa redução. As pessoas estão há meses se mobilizando e indo para as ruas pelo fim da escala 6×1, e ontem [domingo] foi mais um dia dentro dessa agenda, culminando no ato de hoje em São Paulo”, pontua.
Amorim destaca que as mobilizações recentes foram uma resposta às tentativas de parte da oposição de frear a tramitação do projeto e propor mudanças que iriam representar ataques aos direitos do trabalhador. “É um Congresso inimigo do povo que, mais uma vez, tentou fazer uma manobra contra os interesses do povo. Na semana passada, 176 deputados assinaram uma proposta para mudar a escala 6×1 para até 52 horas semanais. Esses são os mesmos deputados que não perdem uma oportunidade de atacar direitos”, aponta a parlamentar.
“O fim da escala 6×1 será um dos maiores legados do governo Lula para o povo trabalhador. O fim da escala 6×1 representa o respiro para o povo viver. Isso é fundamental. O acordo do governo Lula não é o ideal, mas precisamos entender, sim, como uma conquista forjada na luta das ruas. Nenhuma conquista chega sem mobilização. E agora nós queremos as 36 horas. O presidente Lula, claro, precisa fazer mediações porque hoje temos um Congresso inimigo do povo”, critica Rosa Amorim.
Para Lucas Sidrach, coordenador nacional do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que acompanha o debate na Câmara dos Deputados, a pressão popular tem, de fato, sido protagonista dessa importante transformação, mas os acordos não estão levando totalmente em consideração o desejo dos trabalhadores.
“Todos os acordos que estão sendo ventilados na mídia não estão levando em conta a vontade do povo. E a vontade do povo é: termos uma redução da escala de trabalho imediata de 44 para 40 horas, mas se a gente quer falar de uma perspectiva de transição, a gente tem que falar em 36 horas e escala 4×3, quatro dias de trabalho e três de folga. É preciso que o povo seja escutado”, afirma.
A expectativa é que o texto seja votado na Comissão Especial nesta terça-feira (26). Sidrach destaca que o relatório dará o tom dos próximos passos das mobilizações populares. “A gente entende a reação do povo com aquilo que não é uma vontade da sociedade. Nenhum tipo de compensação ou mesmo de transição será interessante para a classe trabalhadora. Nós queremos o fim da escala 6×1 para ontem”, ressalta. “Qualquer alteração que vá contra a nossa vontade, a gente vai fazer uma mobilização e parar esse país”, afirmou.
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
