NO PRÓXIMO DOMINGO

Presidenciáveis encerram campanhas na Colômbia com candidato de esquerda na liderança; veja o que está em jogo

Iván Cepeda tem 44% das intenções de voto; segundo colocado, 31%

No audio source provided.
O candidato presidencial pelo movimento progressista Pacto Histórico, Iván Cepeda
O candidato presidencial pelo movimento progressista Pacto Histórico, Iván Cepeda | Crédito: Luis Acosta/AFP

Os concorrentes ao pleito presidencial colombiano encerraram suas campanhas no domingo (24), uma semana antes do primeiro turno da votação. O candidato de esquerda, senador Iván Cepeda, segue na frente, com condições de vencer a disputa já no próximo dia 31, sem necessidade de um segundo turno.

Pesquisa da empresa Invamer, publicada na quinta-feira (21) pela Blu Radio e Noticias Caracol, dá a Cepeda 44,6% dos votos, à frente do advogado de extrema direita Abelardo de la Espriella (31,6%) e da senadora da oposição Paloma Valencia (14%).

Outra pesquisa da empresa Guarumo, publicada também na quinta-feira pelo jornal El Tiempo, coloca os três candidatos na mesma ordem. A Invamer dá a vitória a Cepeda no segundo turno, mas a Guarumo dá a vitória a De la Espriella, em um novo cenário muito mais acirrado e incerto.

A maioria das pesquisas desde o início da campanha coloca Cepeda em primeiro lugar. O candidato do Pacto Histórico encerrou sua campanha presidencial diante de 80 mil pessoas em Barranquilla, no mesmo local simbólico usado por Gustavo Petro há quatro anos. O candidato reforçou a meta de vencer no primeiro turno e destacou como bandeiras a redução de gastos públicos e o combate rigoroso à corrupção, mandando um aviso direto contra as famílias políticas poderosas da costa caribenha. Cepeda também promete dar continuidade aos programas sociais do presidente Gustavo Petro, da mesma coalizão de esquerda Pacto Histórico.

Paloma Valencia (Partido Uribista) encerrou sua campanha em aliança com os partidos Conservador e MIRA, enquanto Abelardo de la Espriella, da extrema direita, finalizou seus atos no departamento de Antioquia.

O processo de votação para colombianos que vivem fora do país já começou na Nova Zelândia e durará uma semana. Mais de 1,4 milhão de eleitores estão aptos a votar em 67 países.

As eleições presidenciais de 2026 na Colômbia representam um momento decisivo para a América Latina, com o fim do mandato do primeiro governo progressista do país, de Gustavo Petro, que nos últimos quatro anos promoveu uma guinada na política externa ao afastar-se da tradicional subordinação aos Estados Unidos. Sob sua liderança, a Colômbia assumiu uma postura firme em defesa da soberania regional e dos Direitos Humanos, integrando uma frente progressista no continente ao lado de Brasil e México.

No âmbito interno, o governo do Pacto Histórico implementou uma reforma agrária que formalizou mais de 2 milhões de hectares para comunidades rurais, reduziu o desemprego para a menor taxa do século (9,2% em fevereiro de 2026) e retirou milhões de pessoas da pobreza e da fome. Além disso, o governo aprovou uma reforma trabalhista benéfica aos trabalhadores, aumentou o salário mínimo e os bônus previdenciários, expandiu o financiamento da educação superior pública e avançou na transição energética, superando o uso de carvão pela energia solar.

Para dar continuidade e aprofundar esse projeto de mudança, a esquerda aposta na candidatura de Cepeda, tendo como vice a liderança indígena Aida Quilcué. O programa de governo da chapa propõe três eixos centrais: uma Revolução Ética contra a corrupção e a violência política; uma Revolução Econômica e Social focada na redistribuição de terras e superação da desigualdade; e uma Revolução Política e Democrática voltada para a paz com justiça social e participação popular.

Editado por: Thaís Ferraz

|

Newsletter