A Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre (Smamus) divulgou na tarde desta terça-feira (31) um vídeo em que alega que “tem muitas fake news circulando sobre a revisão do Plano Diretor”. A peça desenvolvida pela secretaria responsável pela elaboração do projeto usa, para embasar esta “denúncia”, supostas manchetes de portais online e trata de explicar o que seriam as vantagens da proposta.
No entanto, as manchetes que supostamente seriam fake News foram criadas pela própria peça publicitária, não tendo correspondência com nenhuma publicação acessível em mecanismos de busca. As fontes também não são indicadas.
Trocando em miúdos, foram inventadas. São mentiras.
Ainda que sejam alegorias, o que não é informado em nenhum momento, se trata de uma tentativa de desmerecer as críticas que a imprensa independente, movimentos sociais, professores universitários, lideranças comunitárias, representantes de órgãos de controle, etc. fazem sobre o projeto de lei encaminhado à Câmara de Vereadores e o processo de consulta popular que o antecedeu.
Nós do Sul21 e do Brasil de Fato, veículos que, assim como a Matinal, buscam fomentar o debate sobre a revisão do Plano Diretor, não nos enganamos: a peça tem o objetivo de deslegitimar a discussão séria que se tenta fazer sobre o futuro de Porto Alegre e, sobretudo, os especialistas ouvidos pela imprensa independente.
Ao utilizar determinadas ilustrações, ironizam questões relevantes que dizem respeito ao meio ambiente, à urbanidade, ao direito à cidade.
O que nossos veículos propõem, desde o governo Marchezan, é um debate aprofundado sobre o tema, abordando as diversas consequências que esta proposta de Plano Diretor trará para a nossa cidade, em especial num contexto de mudanças climáticas e alterações em padrões demográficos, que já se fazem sentir pela população.
Desde o início da revisão, propomos uma discussão ampla, não subordinada aos interesses de grandes construtoras e que não seja feito em colunas de opinião, marcado por frases de efeito, mas baseado, sobretudo, em apuração, evidências e pesquisas. Um debate que, inclusive, reiteradamente e apesar das recusas, convida à participação o secretário da Smamus, Germano Bremm, arquitetos municipais e vereadores da base aliada ao governo Melo. Este foi o caso de debate promovido pelo Sul21 e o Brasil de Fato na última segunda-feira (30), em parceria com o IAB-RS.
A peça é ainda mais repudiável porque trata de ignorar que grande parte do debate e das críticas feitas ao projeto diz respeito ao tema ambiental e à preparação da cidade para o enfrentamento a enchentes, enquanto, como vem alertando o Centro de Apoio Operacional de Defesa da Ordem Urbanística e Questões Fundiárias do MP-RS, há graves inconsistências entre o que consta do plano e o que preconiza o Estatuto das Cidades a respeito da prevenção a desastres. Menos de dois anos após o maior desastre ambiental da história de Porto Alegre, consideramos que é uma obrigação da imprensa abordar estas questões no âmbito das discussões do principal instrumento de planejamento urbano da cidade.
Lamentavelmente, o modus operandi desta Prefeitura é ignorar diversos alertas que são feitos há muitos anos por esses e outros especialistas nas páginas dos nossos veículos sobre os riscos ambientais que a atual forma de planejar a cidade oferece. As considerações estão registradas em diversas matérias – estas sim facilmente encontráveis por meio de mecanismos de busca.
Lamentamos a falta de seriedade da Prefeitura em tratar o debate. Da nossa parte, continuaremos a dar a máxima relevância ao tema e aos interessados em discutir o futuro da cidade.
Sul21
Brasil de Fato
