CRISE DA DIREITA

Sobe para 32 número de bloqueios em estradas bolivianas por renúncia de presidente

População protesta contra pior crise econômica em 40 anos, repressão e fim dos subsídios de combustíveis

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Manifestantes em La Paz
Manifestantes em La Paz | Crédito: AIZAR RALDES / AFP

O número de bloqueios de estradas na Bolívia subiu para 32 nesta terça-feira (19), segundo a Administradora Boliviana de Rodovias do país, um dia após confrontos violentos na cidade de La Paz entre manifestantes e forças de segurança. Manifestações de vários setores pedem a saída do presidente de centro-direita, Rodrigo Paz, cerca de seis meses após o início de seu mandato.

Autoridades bolivianas afirmam que os bloqueios afetam principalmente estradas nos departamentos de La Paz, Cochabamba, Oruro, Potosí e Santa Cruz. A maior concentração deles permanece na capital, La Paz, onde grupos mantêm a pressão em diversas rodovias e pontos de acesso estratégicos, apesar das operações policiais desta terça.

O aumento no número de pontos de conflito ocorre após os eventos violentos de segunda-feira na capital, em que foram relatados confrontos violentos. Cerca de 127 pessoas foram detidas, 105 homens e 22 mulheres, sendo que, destes, 28 seguem presos.

Os protestos violentos na capital deixaram 11 policiais feridos, dois deles em estado grave. O governo anunciou a criação de corredores humanitários e pontes aéreas para tentar garantir o abastecimento de alimentos, combustível e medicamentos para La Paz e El Alto.

O Ministério Público da Bolívia emitiu na segunda-feira um mandado de prisão contra um dos líderes das manifestações, o secretário-executivo da Central Operária Boliviana (COB), Mario Argollo, acusado dos crimes de incitação pública ao crime, terrorismo e outros.

Por que a revolta?

Organizações sociais mobilizadas reafirmaram a continuidade de seus protestos e exigiram que o governo atendesse às suas demandas econômicas e sociais. Apenas seis meses após assumir o poder e encerrar duas décadas de governos socialistas, o presidente de centro-direita Rodrigo Paz enfrenta fortes protestos e bloqueios rodoviários que cercam a capital, La Paz, há mais de duas semanas.

A população protesta contra a pior crise econômica desde os anos 1980, marcada por uma inflação de 14%, repressão violenta contra camponeses e o fim dos subsídios aos combustíveis. Os confrontos entre a polícia e manifestantes (incluindo mineiros, operários e professores) paralisaram o comércio e geraram desabastecimento de alimentos, remédios e combustíveis. Um manifestante morreu nos confrontos.

A insatisfação aumentou após o governo fornecer um combustível de má qualidade que danificou mais de 10 mil veículos, quebrando a confiança da população. Segundo o analista político Hugo Moldiz, os protestos não são coordenados pela esquerda tradicional (como o partido MAS, de Evo Morales e Luis Arce), que está dividida e desgastada por erros estratégicos e disputas internas.

As manifestações são movidas por uma base social pulverizada e fragmentada, unida pela indignação econômica e por denúncias de arbitrariedades democráticas nas eleições. O capital político do ex-presidente Evo Morales encolheu drasticamente (estimado entre 16% e 19%) e ele se encontra isolado na região cocaleira de Cochabamba.

Ao Brasil de Fato, Moldiz disse não prever uma queda do governo ou antecipação de eleições, pois as mobilizações estão concentradas em La Paz e a maioria da população não deseja violar a Constituição. No entanto, por adotar uma agenda focada no conflito e não cumprir promessas, ele argumenta que o governo de Rodrigo Paz deve enfrentar uma crise prolongada e uma severa perda de governabilidade, dando continuidade à instabilidade política que o país vive desde 2019.

Editado por: Geisa Marques

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