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Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

TERCEIRA SEMANA

Pressionado por protestos, novo ministro do Trabalho boliviano promete diálogo com manifestantes para encerrar crise que já dura três semanas

Manifestantes seguem nas ruas exigindo a saída do presidente Rodrigo Paz

  • 22.maio.2026 - 12:50
  • São Paulo (SP)
  • Redação
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Manifestantes em La Paz nesta sexta-feira
Manifestantes em La Paz nesta sexta-feira | Crédito: Marvin RECINOS / AFP

O novo ministro do Trabalho da Bolívia, Williams Bascopé, assumiu o cargo, prometendo abrir canais de diálogo com os manifestantes que seguem exigindo a saída do presidente Rodrigo Paz, no cargo há apenas seis meses. A mudança na pasta foi uma tentativa de Paz para encerrar os protestos que fecham dezenas de estradas pelo país e que voltaram a ocorrer nesta sexta-feira (22), a terceira semana.

“Vamos nos sentar à mesa com todos os líderes que, de forma aberta e sincera, apresentarem propostas que sejam obviamente razoáveis ​​e honestas”, disse Bascopé.

“Precisamos nos sentar e ouvir como podemos colaborar e onde falhamos, sempre colocando os interesses do país e de seus cidadãos em primeiro lugar. Não precisamos de arrogância, precisamos de humildade e sinceridade. Este ministro está aqui para dialogar, ouvir e apaziguar os conflitos que se acumularam”, disse.

Apesar disso, Bascopé ressaltou que “o direito de protestar é respeitado, mas esse direito tem várias condições, e precisamos aprimorar essa prática. Precisamos sentar e conversar; não podemos nos ferir mutuamente e atrasar o país”, acrescentou.

Bascopé substitui o ex-ministro Edgar Morales, que apresentou sua renúncia para “pacificar o país” após Rodrigo Paz anunciar uma reformulação ministerial. Morales, que havia assumido o cargo em 9 de novembro de 2025, vinha sendo muito criticado pela Central Operária Boliviana (COB) por travar as demandas dos setores trabalhistas.

Semanas atrás, manifestantes do setor fabril chegaram a ocupar o Ministério do Trabalho para exigir sua saída, exigindo a evacuação do local pela polícia.

E segue a crise

O governo de Rodrigo Paz acusa os manifestantes de tentarem alterar a ordem democrática e aponta o ex-presidente Evo Morales como o orquestrador dos protestos. O governo recusa diálogo com os manifestantes, enquanto o principal sindicato do país (COB) convocou novas marchas.

A Bolívia enfrenta sua pior crise econômica desde os anos 1980, agravada pelo fim dos subsídios aos combustíveis e por uma inflação de 14% (em abril).

Os Estados Unidos manifestaram forte apoio a Paz. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que não permitirá a derrubada de líderes eleitos pelo que classificou como “criminosos e narcotraficantes”.

A Bolívia expulsou a embaixadora da Colômbia após críticas do presidente Gustavo Petro, que chamou os protestos de “insurreição popular”. Em resposta de reciprocidade, a Colômbia também encerrou as funções do embaixador boliviano em Bogotá.

Centenas de trabalhadores voltaram às ruas do centro da capital política da Bolívia na quinta-feira (21). Com seus capacetes de trabalho e em meio ao barulho de fogos de artifício, mineiros e operários de fábricas marcharam em La Paz, cercada por bloqueios de estradas que provocaram escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos.

Os manifestantes passaram, sem incidentes, diante dos policiais antimotim que protegem com grades e escudos a praça de armas, onde fica o Palácio do Governo. Protestos violentos deixaram cerca de 130 detidos na segunda-feira, segundo o Ministério Público.

“Ele está nos impondo uma política neoliberal como nos anos 1980. Este governo não tem capacidade de governar e é totalmente servil às transnacionais”, disse à AFP Cecilio González, dirigente operário de 49 anos.

Pelo menos 47 bloqueios de estradas foram registrados em sete dos nove departamentos do país, segundo dados oficiais. Na quinta, a polícia liberou uma rota estratégica em Cochabamba (centro), após lançar gás lacrimogêneo contra manifestantes.

Editado por: Geisa Marques
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