Pelo impeachment

‘Rodrigo Paz tenta se sustentar na base da repressão’, afirma analista sobre protestos na Bolívia

Rodrigo Menon destaca que setores que antes apoiaram Paz compõem a força de mobilização para que ele saia

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Manifestante durante protesto exigindo a renúncia do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em La Paz, em 18 de maio de 2026. Aizar Rades/AFP
Manifestante durante protesto exigindo a renúncia do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em La Paz, em 18 de maio de 2026. | Crédito: Aizar Rades/AFP

As mobilizações continuam acontecendo em diversas cidades da Bolívia exigindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz, que encerrou um ciclo de quase 20 anos de governos de esquerda e tem gerado o descontentamento da população. Nesta terça-feira (19), manifestantes fecharam ao menos 32 rodovias contra a pior crise econômica das últimas quatro décadas.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Gustavo Menon, professor na Universidade Católica de Brasília (UCB) e do Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina (Prolam) da Universidade de São Paulo (USP), destaca um ponto que chama a atenção no processo de mobilização contra o presidente: a prevalência de grupos de centro-direita, inclusive de setores que ajudaram a eleger Paz.

Menon lembra que a fragmentação da esquerda, marcada por disputas internas, foi um fator determinante para a ascensão do governo de direita.

“Chama a atenção no plano regional, do ponto de vista geopolítico, como a Bolívia se insere nas disputas colocadas no plano internacional, na contemporaneidade, sendo um país essencialmente primário exportador. Quando a gente analisa as disputas fratricidas entre Luis Arce e Evo Morales, veja que houve exatamente a abertura não só para a celebração desses projetos de direita em território boliviano, como atualmente se transformar em um país em convulsão. Veja que estamos presenciando uma série de manifestações que são críticas a essa política de austeridade implementada por Rodrigo Paz. Chama a atenção justamente porque existe essa conjuntura de fragmentação política, desintegração econômica na América Latina, especialmente na América do Sul, a realidade boliviana marcada pela exploração do gás, do lítio”, pontua.

“Há uma série de setores que estão nas ruas e que tinham votado em Rodrigo Paz em meio a essa conjuntura do avançar dos EUA na região. Como sabemos, Donald Trump vem compreendendo a América Latina como região de sua influência. E podemos presenciar não só a conformação do “Escudo das Américas“, como há essa ingerência dos EUA sobre a região. A Bolívia vem sendo palco dessas ações e Rodrigo Paz se articula e se aproxima desses governos de direita na América Latina”, explica Menon.

Para além de uma agenda neoliberal, o analista internacional lembra que a própria plataforma política de Rodrigo Paz era problemática, já que ela enunciava: “Capitalismo para todos”. “Os indicadores sociais tornam-se cada vez mais flagrantes. Houve uma série de iniciativas de questionar inclusive a dimensão constitucional do Estado boliviano de se reafirmar como um Estado plurinacional, inclusive de um rechaço a esses setores camponeses, setores indígenas, que são uma força expressiva de projetos de esquerda nesses países andinos. Como Rodrigo Paz tenta se sustentar a partir da repressão”, avalia.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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