Tensão nuclear

Rússia fala em ‘ameaça de agressão’ e faz exercícios nucleares com Belarus

Manobras militares são realizadas em contexto de escalada do conflito ucraniano

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Imagem divulgada pelo Ministério da Defesa russo do Novo sistema míssil balístico intercontinental 'Sarmat'
Imagem divulgada pelo Ministério da Defesa russo do novo sistema míssil balístico intercontinental Sarmat | Crédito: Divulgação/Ministério da Defesa da Rússia

Rússia e Belarus iniciaram nesta terça-feira (19) a realização conjunta de exercícios nucleares em larga escala. As Forças Armadas da Rússia declararam que as manobras estão sendo feitas para preparar e empregar forças nucleares “sob ameaça de agressão”.

As manobras incluem lançamentos de mísseis balísticos e de cruzeiro em locais de teste em todo o país. Além disso, também haverá uso conjunto de armas nucleares implantadas em território bielorrusso.

De acordo com o ministério russo, as Forças de Mísseis Estratégicos, as Frotas do Norte e do Pacífico, o Comando de Aviação de Longo Alcance e forças dos Distritos Militares de Leningrado e Central participam dos exercícios. As manobras serão feitas de 19 a 21 de maio e envolverão 65.000 militares, mais de 200 lançadores de mísseis, mais de 140 aeronaves, 73 navios de superfície e 13 submarinos.

A pasta acrescountou que o principal objetivo dos exercícios é testar a prontidão das forças nucleares e praticar a “dissuasão estratégica do inimigo”.

Os exercícios atuais superam significativamente a escala das manobras Grom-2019, anteriormente consideradas as maiores da história moderna da Rússia. Naquela ocasião, participaram aproximadamente 12.000 soldados, 213 lançadores, 15 navios e cinco submarinos nucleares.

As relações nucleares entre Moscou e Minsk se fortaleceram desde 2023. Inicialmente, a Rússia anunciou sua intenção de implantar armas nucleares em território bielorrusso e, posteriormente, um acordo de segurança foi assinado, incluindo o uso de forças nucleares para “defender o Estado da União” (acordo de integração e aliança estratégica entre Moscou e Minsk).

Kremlin defende disuassão nuclear russa

Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou na última segunda-feira (17) que a dissuasão nuclear é a pedra angular da segurança nacional da Rússia, pois a existência de uma potência nuclear não pode ser ameaçada.

O comentário de Peskov aconteceu durante uma entrevista à televisão estatal russa, ao comentar o teste bem-sucedido do novo sistema de mísseis russo Sarmat.

“Uma potência nuclear não pode ser ameaçada; sua existência não pode ser ameaçada. É isso que nos permite ter confiança nisso, e essa é a base da dissuasão nuclear”, disse o porta-voz da presidência russa.

A Ucrânia criticou as manobras conjuntas entre Moscou e Minsk. O Ministério das Relações Exteriores ucraniano classificou-as como “um desafio sem precedentes à segurança global” e afirmou que transformar Belarus em uma “cabeça de ponte nuclear” russa nas fronteiras da Otan mina o regime de não proliferação nuclear. Kiev pediu aos países ocidentais que reforcem as sanções contra a Rússia e Belarus.

Editado por: Thaís Ferraz

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