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Narrativas do Sul Global devem ocupar todos os espaços da comunicação, diz pesquisador de mídia

Prasanth Radhakrishnan, jornalista e pesquisador, participou do III Fórum Acadêmico do Sul Global

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"É crucial que continuemos escrevendo e produzindo vídeos, ocupando todos os espaços possíveis para que a narrativa do Sul Global esteja presente em todas as frentes", afirmou Prasanth Radhakrishnan durante o painel
“É crucial que continuemos escrevendo e produzindo vídeos, ocupando todos os espaços possíveis para que a narrativa do Sul Global esteja presente em todas as frentes”, afirmou Prasanth Radhakrishnan durante o painel | Crédito: III Fórum Acadêmico do Sul Global

A comunicação no Sul Global enfrenta desafios inéditos, mas também abre oportunidades únicas. Essa foi a reflexão central de Prasanth Radhakrishnan, jornalista e pesquisador de mídia da Índia, durante o painel “O novo ordenamento global da informação e da comunicação no século XXI e os caminhos para a paz mundial”, realizado no III Fórum Acadêmico do Sul Global, em 13 e 14 de novembro, em Xangai.

O fórum reuniu mais de 250 pesquisadores, jornalistas e representantes de movimentos de 31 países da Ásia, África e América Latina com o objetivo fortalecer a cooperação entre os países e “incentivar a produção de conteúdos que promovam paz e desenvolvimento sustentável”.

Para Prasanth, é fundamental que os comunicadores do Sul Global produzam conteúdos diversificados e ocupem novos espaços de distribuição, garantindo que suas vozes sejam ouvidas diante da hegemonia das narrativas ocidentais.

“O desafio central é entender como os jovens percebem e interpretam o mundo. Eles utilizam plataformas que não existiam no passado e que, em grande parte, estão sob domínio de forças imperialistas. Por exemplo, documentários produzidos por empresas como Netflix ou Amazon Prime se apresentam como ‘inspirados em fatos reais’, mas geralmente seguem um quadro ideológico claro: os Estados Unidos e seus aliados são retratados como heróis, enquanto outros países, especialmente da América Latina, aparecem distorcidos, governados por ditadores ou associados ao tráfico de drogas”, pontuou o pesquisador.

O jornalista, que também é ativista na Free Software Foundation Tamil Nadu, destacou a importância de fortalecer redes de colaboração entre veículos de mídia, universidades e movimentos populares. “A guerra da comunicação hoje acontece em múltiplas frentes. Não estamos falando apenas de jornalistas ou da mídia tradicional, mas também de programas de TV, redes sociais e produtos culturais”, disse.

Prasanth também analisou o impacto da inteligência artificial e das novas tecnologias na comunicação, especialmente entre os jovens, ressaltando a necessidade de produzir mais conteúdo e explorar novas formas de distribuição para garantir a presença do Sul Global em “todos os espaços possíveis”.

“É crucial que continuemos escrevendo, produzindo vídeos e ocupando todos os espaços possíveis. Esse esforço garante que a narrativa do Sul Global esteja presente em todas as frentes, equilibrando a comunicação global e oferecendo perspectivas alternativas. É um dos maiores desafios que enfrentamos, mas é fundamental para ampliar nossos horizontes”, destacou.

Editado por: Nathallia Fonseca

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